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sábado, 30 de setembro de 2017

Ferreiro de Carnide



          Eugénio Pinto Vicente e Rogério
          Na R.Norte nº2, ~de 1930 a 1980
            1-Caracóis em janelas e portas, como fazer
            2-Portões como se assentavam antigamente

1-Caracóis com barra de ferro
a) a quente, à forja e com moldes
Difícil é o começo do caracol, para ficar com o redondo perfeito.  A ponta a quente é achatada tipo faca e apertada; depois entra no molde.
Ficam perfeitos, demoram mais tempo e logo são mais “caros”, era a técnica antiga e usada pelo Eugénio Pinto Vicente (pai do Rogério) até aos anos1970.

    Grade de caracóis-1952, porta do Asilo das velhinhas, R.Norte nº45, Carnide




b)a frio, inovação do filho Rogério Vicente nos anos 1970.
A barra de ferro é trabalhada manualmente a frio, faz-se mais caracóis em menos tempo, não são é tão perfeitos.





2-Portão de ferro , como se assentava antigamente.
                      R.Norte nº24
 
a) Nas pedras do portal, são abertos os buracos com escoporo e ponteiro, tipo ninhos mais largos no interior do que na abertura onde entra a ferragem que segura o portão.

b) Assenta-se o portão com calços e nivela-se, com as unhas nos buracos. Por baixo de cada buraco faz-se uma concha em barro para segurar o chumbo liquido.

c) Com uma colher de ferro e terminação em bico na concha, enche-se com bocados de chumbo, depois vai ao lume a uma fogueira até ficar liquido. Depois mete-se em cada buraco das dobradiças, e na solidificação bate-se com um escoporo para entrar e encher bem o buraco.

            Portão feito e assente ~1951 na R.Estrada da Luz nº176, Lar das Doroteias
 
          
                                         Largo da Mestra, antiga escola republicana de Carnide

Esta fixação é duradoira, vê-se grandes portas e portões com centenas de anos ainda a funcionar com esta fixação.


Fontes:
            Rogério Pinto Vicente
            Convento de Carnide, antigo “Asilo das Velhinhas”
            Escola Republicana de Carnide
            Lar das Doroteias (Irmãs do Bom Pastor)




                                                                                  

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Poesia REFOOD



Refood de Carnide, instalada no Lar Maria Droste, Irmãs do Bom Pastor, desde 2015

           
   
              
NEM SEI POR ONDE COMEÇAR
HÁ TANTO PARA DIZER!
VAMOS VER O QUE SAI,
PARA A TODOS AGRADECER

PRESENÇA, COMPROMISSO,
AMIZADE, BOA DISPOSIÇÃO,
É ASSIM À TERÇA FEIRA,
COM AMOR NO CORAÇÃO

TODOS JUNTOS EM EQUIPA
PARTILHAMOS IDEIAIS
SEMPRE COM UM MOTE EM MENTE
“VAMOS TENTAR FAZER MAIS”

SEMPRE MAIS E MELHOR
POR VEZES COM MATÉRIA PRIMA ESCASSA
SEMPRE A PENSAR EM QUEM TEM MENOS
NEM UMA MIGALHA ESCAPA!

18.30 CHEGAMOS,
COMEÇA TUDO A MEXER,
VÊM AÍ AS FAMILIAS
HÁ MUITO QUE FAZER!

PÕE AVENTAL,
PEGA O SACO,
ABRE O FRIO,
TIRA A CAIXA,
EMPACOTA,
PÃO E BOLOS A SEGUIR,
IOGURTES, LEITE E VERDURAS,
ESTÁ PRONTO A SAIR!

LEVA SACO,
LAVA CAIXA,
SECA,
ARRUMA,
VARRE E LAVA O CHÃO, ESTÁ QUASE,
NEM UM SENÃO!

NÃO FICA NADA POR DAR
TUDO TEM DE SAIR
SE HÁ BENS A SOBRAR
HÁ QUE DISTRIBUIR!

POR FIM AS DESPEDIDAS,
BOA SEMANA DESEJAMOS,
ATÉ À PRÓXIMA TERÇA
PARA A SEMANA CÁ ESTAMOS!!!

Para a equipa I turno de terças –feiras da Refood Carnide, com amizade,
Paula Abrantes em Dez.2016


sábado, 8 de outubro de 2016

Jardim Primavera em Lisboa




Jardim Primavera, Viveiros na Quinta das Pedreiras, Carnide, Lisboa


           

 Joaquim Custódio Salvador, trabalhou mais de meio século no “Jardim Primavera”. Começou em 1938 com 13 anos e de1941 a 1995, desempenhou as funções de encarregado geral e vendedor.


Origens e chegada ao Jardim Primavera:
Nasceu em Coruche na aldeia da Salgueirinha a16/3/1925, donde saíu com 6 meses para Lisboa, foi morar para a Charneca do Lumiar com os pais Custódio Salvador e Maria da Piedade; de Santa Combadão.
Em 1938 com 13 anos de idade, trazido por o amigo Joaquim Ramos. Veio trabalhar para os Viveiros do Jardim Primavera em Carnide, na Quinta da Pedreira, entrada pela Azinhaga das Freiras. Nesse tempo o ordenado era 4$00/dia e recebiam à semana.
Vinha a pé da Charneca do Lumiar para Carnide, mais o amigo Ramos e regressavam a pé. O trabalho era como no campo de sol a sol, só muito mais tarde é que houve horário de trabalho.


Como era o trabalho no início, anos 30 e 40

Transporte dos materiais
Da loja, na Rua Tomás Ribeiro nº91 e dos viveiros em Carnide, Lisboa; saíam sacos de terra (30Kg) e plantas, que eram transportados às costas e a pé, para os clientes. Por vezes até ao Dafundo.
Faziam expedição de encomendas para todo o país, levavam plantas, terra e árvores para a estação do comboio a Benfica (sempre a pé).

Nesta época em Portugal só havia nesta área de negócio; o Jardim Primavera em Lisboa e outro equivalente no Porto.

Trabalhos que se faziam de jardinagem para grandes clientes
-conservação dos jardins da CML, na década de 1950 e durante 5 anos.
-fizeram o relvado do 1ºestádio do Benfica à 2ªcircular, em 1954. A relva foi semeada e tratada durante 1 ano,  antes, e depois de nascer era feita a devida manutenção.
-fizeram o relvado no Funchal no campo de futebol do Maritimo, cerca de 1943.

Tipos de trabalho, nos viveiros em Carnide-Quinta das pedreiras
-A terra, era trazida dos desaterros feitos para a construção civil de prédios. Depois misturavam-lhe estrume e preparavam-na para vender e para jardinar.
-Preparavam as flores :
            *bolbos
            *plantas
            *sementes
Desde de que nasciam até à venda; que era feita na R.Tomás Ribeiro nº91. Tinham um catálgo com todas as flores produzidas em Carnide na Quinta da Pedreira de Baixo.

O Jardim Primavera tinha em média anual 30 trabalhadores, somando homens e mulheres. No fim da Primavera, quando havia mais trabalho em Junho, o Joaquim ia à Feira do Campo Grande e contratava pessoal, chegando a ter cerca de 50 trabalhadores.


Em 1941-com 16 anos e já corpo de homem, o Joaquim, merecedor da confiança do patrão, foi promovido a encarregado geral e vendedor. Ficando fixo na loja e escritório, só se deslocava à quinta para combinar trabalhos.
Na loja ganhou a alcunha “o conquistador” devido às muitas raparigas que havia na zona e aos namoricos.

1946-casou com a afilhada do patrão, Maria José Pires Salvador, nascida na Guarda em 1920. Passando a morar na quinta na mesma casa dos patrões.
Depois de 1946, passou a estar mais no escritório, já não andava tanto na quinta só em grandes obras de jardinagem.
Atendia os grandes clientes; e tinha poder de decisão nas funções que lhe estavam atribuidas: vendia terra, plantas, máquinas de jardinagem e outros materiais. Negociava os contratos de manutenção de jardins.
           
Cerca de 1950 foi adquirida uma camioneta mercedes que passou a fazer o transporte entre o Jardim e a loja.
Entretanto o seu amigo Joaquim Ramos ficou responsável pelos Viveiros da Quinta de Carnide.

Organigrama do Jardim Primavera


           
Comunicação entre a Quinta e a Loja / Escritório nesta época anos 1950
Havia um telefone na loja (45209) e outro na quinta (780119). Para telefonar dava-se à manivela e chamava-se a telefonista que fazia a ligação para o número pretendido.

Água e electricidade na Quinta da Pedreira nos anos 1950 e antes desta data
Tinham um poço com um motor eléctrico e se fosse preciso tinham também a água duma quinta adjacente.
Tinham água canalizada da EPAL para a casa de habitação do patrão Moreira e do Joaquim Salvador, assim como Luz da CRGE em rede aérea.

Em 1958 o patrão adquire um carro Mercury, para a familia e que servia também para o serviço. Sempre que necessário o Joaquim Salvador acompanhava o patrão ao Porto para ver e adquirir plantas.



 
Evolução dos Viveiros Primavera com a criação de:
1ºRamalhão, S.Pedro de Sintra.........”Floral de Sintra”
2ºPatacão, Faro


Quinta das Pedreiras, Carnide, onde estavam os viveiros do Jardim Primavera
Com entrada pela Azinhaga das Freiras.



Exposições:

1ª em 1940 no Jardim da Ajuda

 Em 1949 na estação da CP no Rossio
 
Em 1960 no Casino do Estoril


 
Em 1964 em Paris, Le Jardin De La Fontaine
 


50ºAniversário do Jardim Primavera, no Pavilhão dos Desportos, 1955
 

 




60ºAniversário do Jardim Primavera, restaurante Serra e Moura do Lumiar, 1965

 



 Edição de catálgos do Jardim Primavera
Catálgo de roseiras 1954-55

Catálgo geral de 1957-58


1990-O Joaquim Salvador reformou-se com 65anos e o Jardim Primavera ainda funcionava nestes moldes. Continou a trabalhar na Firma até 1995, quando a Loja e o Escritório mudou para o Ramalhão, S.Pedro de Sintra, Sintra. Nesta nova situação e já com 70 anos o Joaquim saíu da Firma. Em 1992 o Patrão Moreira faleceu e quem geria era a filha Zulmira da Silva Moreira ( o irmão já tinha falecido com 45anos).

A Zulmira passado algum tempo de estar no Ramalhão, já com tudo lá incluindo e uma nova quinta, vendeu o Jardim Primavera para o Horto do Campo Grande. Contudo o nome Jardim Primavera mantem-se, sendo sinal de qualidade neste mercado.
A antiga Quinta da Pedreira de Baixo com 6HA, onde funcionou o Jardim Primavera agora pertence a  “Construções Bernardino Gomes SA”.


Cronologia simplificada do percurso de sucesso durante o século XX, desde a criação até à venda, mas que manteve o nome Jardim Primavera.


               

 2000-o Joaquim deixou a casa da Quinta da Pedreira, quando esta foi vendida e foi morar para a Azinhaga dos Cerejais, onde se mantem ativo com uma horta.



No momento desta conversa amena, o Joaquim estava a apanhar batatas, e recebeu correio dos vizinhos. Com 91anos é um homem merecedor da confiança que depositam nele; um bem haja a este amigo.




                   
                         Joaquim Salvador e Isabel Chaves, espelham a alegria de viver.

O Joaquim Salvador, gostava muito do trabalho que fazia, era com prazer e humildade que o desempenhava. Não se recorda de problemas com pessoal nem com os clientes.




Fontes:
            -Joaquim Salvador
            -Jaime de Almeida Vieira
            -Manuel Barata
            -documentação das exposições nacionais e internacionais
            -documentação dos eventos, 50º e 60º aniversário
            -catálgos das roseiras
-catálgos gerais
            -Quinta das Pedreiras, Carnide


                                             

                                                                                                                                      





                                                                                                         



sábado, 2 de abril de 2016

Leiteiros de Carnide, Maria Alexandrina Machado e Gabriel Machado






           
            Alexandrina nasceu em Midões, Tábua a 29/12/1922 tem 92anos.
Morou na R.Palma e em 1945 veio para a Vila Guimarães nºAS em Carnide.

O leite, nem sempre foi comercializado em pacote como é hoje.Era vendido avulso, porta a porta, logo  após a ordenha das vacas. Não havia forma de conservar o leite como há hoje; no frio ou através das técnicas de pasteurização.
A venda  era feita de manhã e à tarde; visto as vacas serem mugidas duas vezes ao dia; 365 dias por ano. Não havia dias de descanso.  A venda do leite porta a porta  durou cerca 16 anos; entre 1946 até 1962.
Em Carnide,havia um casal de leiteiros,(designação dada aos profissionais da venda de leite) que iniciaram o negócio com um trespasse de 9 000$00 escudos ao Sr.Armando da R.Norte nº4 em 1946.
Tinha um contrato para comprar todo o leite produzido nas quintas:       
             Barradas –> Zé Pequeno
             Serrado  –> António
             Camareiras –> Chico
A actividade nas quintas geria-se da seguinte forma:
Por exemplo se a quinta tinha 12 vacas, só iam a cobrir 3 de cada vez, para haver sempre leite e crias para venda. O leite era todo para a distribuição, pouco ou muito. Com pouco, cortava-se um pouco por cliente menos em quem tinha filhos.
No verão quando faltava o leite, chegavam a ir comprar leite à Pontinha, com uma bilha de 20litros. Era um comerciante da Póvoa de SºAdrião, que o transportava numa camioneta e negociava ao fundo da R.SºElói.

O leite era trazido pelo casal, das quintas, numa bilha de 20litros. Em casa era dividido para bilhas mais pequenas de 4litros e 7 litros, em latão. Depois seguiam para a venda. Levavam as medidas de 0,25l, 0,5l, e 1litro para medirem para o vasilhame do cliente.
Na venda ganhavam um cruzado por litro, compravam a 2$60 escudos e vendiam a 3$00 escudos *. Não tinham pregão. Batiam à porta e anunciavam: - A leiteira! Contundo, deixo aqui o pregão do Bairro da Urmeira.- “A leiteira mais famosa do mundo, o leite ainda está quentinho”! Apregoado pela leiteira do BºPe Cruz-Paióis que trazia leite da Escola Agricola  da Paiã **.

A venda tinha uma vigilância constante de fiscais da Intendência Geral de Abastecimentos, com o densímetro na mão, para garantir que os magros proventos da venda não eram aumentados à custa da adição de água. Dava prisão no Limoeiro.
Só podia ser leiteiro quem possuísse o “cartão de sanidade” e fosse sócio do Sindicato Nacional dos Vendedores Ambulantes de Leite. A C.M.L. fiscalizava a higiene das bilhas e o selo de aferição das medidas, que era anual.

A volta da distribuição começava pelas 6H da manhã, pelas ruas de Carnide velha e estendia-de para além da R.Fonte  pela Estrada da Luz até ao palácio dos Bem Saúde. Sendo os melhores clientes os  Bem Saúde e o Dr Palma Carlos à R. dos Soeiros, com cerca de 3l cada. À tardinha vinha o homem que acendia os candeeiros de gás com o varão, e no Inverno apanhavam grandes molhas porque não dava para levar chapéu na distribuição.

Por volta de 1960, as quintas foram obrigadas a vender todo o leite à UCAL . E o casal alterou a forma de distribuição. Comprou uma alcofa grande, com duas pegas de junco, para transportar as garrafas de leite de 1litro, 0,75litro e 0,50litro  compradas no posto de venda da UCAL em Carnide, R.Neves Costa nº38.

Outros destinos do leite das Quintas de carnide:
1-Da Albergaria no Lºda Luz nº1, atual Parque Social. O “Pipoca” levava todos os dias numa carroça com um macho, 2 bilhas de 25L de leite para Belém, Casa Pia.
2-Do Convento de Carnide de SªTeresa, R.Norte nº45, o “Parriot” (Alberto) levava todos os dias duas bilhas de leite de 5L para o Hospital S.Luís dos Franceses no BºAlto, ia a pé e de elétrico. Pertencia também à Ordem das Vicentinas de S.Paulo.

*  informação obtida na venda de leite na Graça, Lx aquando da chegada da UCAL.
**informação da Nora da SªAlexandrina, Maria Conceição que casou com o filho Jorge.