Mostrar mensagens com a etiqueta Distribuição. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Distribuição. Mostrar todas as mensagens

domingo, 1 de maio de 2016

Distribuição de leite em Palma 1954-1966



            Venda de Leite por Emília de Jesus Paiva – Palma, S.Domingos Benfica

                               
Morou na Vila Ventura nº2, à R.Antónino Sá, depois do nº21 do Rossio de Palma.

A mãe do Manuel Vieira Paiva, Emília de Jesus Paiva, foi negociante de leite em Palma, entre 1954 e 1966, durante12anos. Depois arranjou o negócio da fruta na praça do C.Grande. Trespassou o negócio  que já estava mais fraco, desde o aparecimento da  UCAL com o leite pasteurizado.

Comprava o leite no depósito de leite na Estrada de Benfica nº251D, hoje talho “Casa dos Frangos”. Perto da entrada lateral do Jardim Zoológico.

Transportava-o em 2 bilhas de 10L e 2 de 5L em zinco com janela de calibre; e era levado às costas, com ajuda do marido(às vezes) e filho de 8anos, Manuel Vieira Paiva.
Era uma mulher com muita força e determinação, não havia água canalizada em Palma e ia com 3 bilhas de chapa buscar ao fontanário do Lº de palma, trazia 1 bilha à cabeça e mais duas nas mãos até casa na Vila Ventura.

Comprava-o a 2$60 e vendia-o a 3$00, era uma actividade muito vigiada por fiscais com densímetros, para detectar eventual mistura de água para dar mais lucro, dava prisão.

Locais de venda, não tinha pregão, as medidas mais usadas eram o 1l e o 0,5l.

1º cliente era o Conde de Caria (dono da C.Santos-Mercedes), vendia10l de leite=1 bilha, já em Sete Rios.

2ºcliente era o Dr.Palma Leal, 8L de leite e deixava a bilha que iria buscar com a sobra de leite mais tarde, na subida R.Calçada de Palma de Baixo nº4.

                
  3ºcliente e seguintes, depois começava a pequena distribuição de 1L e 0,5L de leite;  a seguir nesta R.Calçada de Palma de Baixo e seguindo:
para a zona onde hoje está a U.Católica
Largo de Palma
R.Antonino Sá
Rossio de palma
Vila Ventura
R.Particular à estrada da Luz, e casal de SªQuitéria
* chegada à estrada da luz, voltava atrás à casa Palma Leal a buscar a bilha com a sobra e fazia a estrada da luz até onde hoje está a Galp, início do BºS.João.

A venda de leite era diária incluindo aos domingos, 365 dias por ano.
As sobras eram guardadas no frio só por volta de 1960 e dizia ao filho: “bebe que esse é todo teu”.
A lavagem das bilhas era importante, senão azedava o leite.
                                              Manuel Vieira Paiva, nasceu em 1946, Palma

                                                                                                                                   

sábado, 2 de abril de 2016

Leiteiros de Carnide, Maria Alexandrina Machado e Gabriel Machado






           
            Alexandrina nasceu em Midões, Tábua a 29/12/1922 tem 92anos.
Morou na R.Palma e em 1945 veio para a Vila Guimarães nºAS em Carnide.

O leite, nem sempre foi comercializado em pacote como é hoje.Era vendido avulso, porta a porta, logo  após a ordenha das vacas. Não havia forma de conservar o leite como há hoje; no frio ou através das técnicas de pasteurização.
A venda  era feita de manhã e à tarde; visto as vacas serem mugidas duas vezes ao dia; 365 dias por ano. Não havia dias de descanso.  A venda do leite porta a porta  durou cerca 16 anos; entre 1946 até 1962.
Em Carnide,havia um casal de leiteiros,(designação dada aos profissionais da venda de leite) que iniciaram o negócio com um trespasse de 9 000$00 escudos ao Sr.Armando da R.Norte nº4 em 1946.
Tinha um contrato para comprar todo o leite produzido nas quintas:       
             Barradas –> Zé Pequeno
             Serrado  –> António
             Camareiras –> Chico
A actividade nas quintas geria-se da seguinte forma:
Por exemplo se a quinta tinha 12 vacas, só iam a cobrir 3 de cada vez, para haver sempre leite e crias para venda. O leite era todo para a distribuição, pouco ou muito. Com pouco, cortava-se um pouco por cliente menos em quem tinha filhos.
No verão quando faltava o leite, chegavam a ir comprar leite à Pontinha, com uma bilha de 20litros. Era um comerciante da Póvoa de SºAdrião, que o transportava numa camioneta e negociava ao fundo da R.SºElói.

O leite era trazido pelo casal, das quintas, numa bilha de 20litros. Em casa era dividido para bilhas mais pequenas de 4litros e 7 litros, em latão. Depois seguiam para a venda. Levavam as medidas de 0,25l, 0,5l, e 1litro para medirem para o vasilhame do cliente.
Na venda ganhavam um cruzado por litro, compravam a 2$60 escudos e vendiam a 3$00 escudos *. Não tinham pregão. Batiam à porta e anunciavam: - A leiteira! Contundo, deixo aqui o pregão do Bairro da Urmeira.- “A leiteira mais famosa do mundo, o leite ainda está quentinho”! Apregoado pela leiteira do BºPe Cruz-Paióis que trazia leite da Escola Agricola  da Paiã **.

A venda tinha uma vigilância constante de fiscais da Intendência Geral de Abastecimentos, com o densímetro na mão, para garantir que os magros proventos da venda não eram aumentados à custa da adição de água. Dava prisão no Limoeiro.
Só podia ser leiteiro quem possuísse o “cartão de sanidade” e fosse sócio do Sindicato Nacional dos Vendedores Ambulantes de Leite. A C.M.L. fiscalizava a higiene das bilhas e o selo de aferição das medidas, que era anual.

A volta da distribuição começava pelas 6H da manhã, pelas ruas de Carnide velha e estendia-de para além da R.Fonte  pela Estrada da Luz até ao palácio dos Bem Saúde. Sendo os melhores clientes os  Bem Saúde e o Dr Palma Carlos à R. dos Soeiros, com cerca de 3l cada. À tardinha vinha o homem que acendia os candeeiros de gás com o varão, e no Inverno apanhavam grandes molhas porque não dava para levar chapéu na distribuição.

Por volta de 1960, as quintas foram obrigadas a vender todo o leite à UCAL . E o casal alterou a forma de distribuição. Comprou uma alcofa grande, com duas pegas de junco, para transportar as garrafas de leite de 1litro, 0,75litro e 0,50litro  compradas no posto de venda da UCAL em Carnide, R.Neves Costa nº38.

Outros destinos do leite das Quintas de carnide:
1-Da Albergaria no Lºda Luz nº1, atual Parque Social. O “Pipoca” levava todos os dias numa carroça com um macho, 2 bilhas de 25L de leite para Belém, Casa Pia.
2-Do Convento de Carnide de SªTeresa, R.Norte nº45, o “Parriot” (Alberto) levava todos os dias duas bilhas de leite de 5L para o Hospital S.Luís dos Franceses no BºAlto, ia a pé e de elétrico. Pertencia também à Ordem das Vicentinas de S.Paulo.

*  informação obtida na venda de leite na Graça, Lx aquando da chegada da UCAL.
**informação da Nora da SªAlexandrina, Maria Conceição que casou com o filho Jorge.