sexta-feira, 23 de junho de 2017

Cabeleireiro com Arte premiado
Internacionalmente

Aristides Pereira Batista


                 



                                  
            Desde 1957 nesta arte de Cabeleireiro Feminino.  É uma delícia ouvi-lo falar sobre a arte de que é Mestre e também sobre as alfaias usadas no cabelo ao longo do século XX, das quais têm verdadeiras relíquias desde o tempo em que ainda não havia energia eléctrica.

  
                                                   1961, penteado com arte de Aristides

                                                  4ºlugar em 1967, Inglaterra

                                                Penteados com arte 1969/70

 
                                                 FIL – festival de penteado feminino


      Clube Artístico de Cabeleireiros, a 3ªSenhora da esquerda foi penteada pelo Aristides


                   ExpoHair na FIL, “24 Horas” em 14/11/1998







Um pouco de história, algumas peças:



1935-máquina de fazer permanentes a quente

1920 - peça para trabalhos com babilize (caracóis) aquecida a álcool

 1920 - Máquina de fazer permanentes a quente



 R.Alcântara nº1, Lisboa


Está a concluír um conjunto de livros sobre a arte de cabeleireiro,
            1-O penteado ao longo da história
            2-Profissão de cabeleireiro
            3-Arte / Ciência e Técnica


            Poderá alguém que visionar esta pequena história de vida dedicada à arte do penteado feminino, dar o seu contributo para deixar este “NOW HOW” (conhecimento) ás nossas escolas de cabeleireiro/a.




Uma vida dedicada à Arte e promoção do cabeleireiro em Portugal, resumindo:

                          
          Um bem haja ao amigo Aristides, que é simplesmente uma enciclopédia do penteado feminino.

Fontes:
        Aristides Pereira Batista
        Ernesto Rebelo

 
                                                                                             

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Artista Carlos Jorge no virar do século XX - 2

Aproveitando sacos das compras do Pingo Doce e materiais reciclados, deu um novo brilho invulgar a um espaço que dá gosto passar para apreciar, nos corredores da cave das arrecadações do prédio nº2 da R.Ary dos Santos, Santo António dos Cavaleiros.
Deixo uma amostra do que se Vê nas paredes.

























  Pedro Reinel_me fez 1485, Lx séc XV


               Relógio feito com uma peneira, canela e bagos de café + talheres como ponteiros





                                                      Trás os Montes, década de 1950



                                                                                                       
  

sábado, 1 de abril de 2017

Ferreiro Luís Ventura, Valhascos, Sardoal

    Ferreiro Luís António Ventura, de 83anos, Valhascos, Sardoal
                       
 O pai António Ventura começou a Oficina de Ferreiro em 1927. Tinha estado na 1ªguerra em França 1917/18, quando regressou foi aprendiz de ferreiro e depois sócio durante 4 anos de João Lourenço Galinha.

1946- com 12 anos, o Luís Ventura ia com uma muar, carregando as cangalhas com ferramenta e aparelho(albarda), ia buscar serviço e entregar trabalhos. Consoante o material levava a carroça em caso de necessidade.
1950- nesta década começou a usar a bicicleta na volta.
1972-5 de março, adquiriu uma motorizada para fazer a volta, e só fez até outubro desse ano. Porque aumentou o trabalho nos Valhascos.

Volta só  ao domingo -  Alferrarede, Rossio ao sul do Tejo, Arrifana, , S.Miguel do Rio Torto, Bicas, regresso por Arceadas, Arrifana, Rossio, Alferrarede Velha, Valhascos e chegada à oficina.
           

Trabalhos que se faziam na oficina:
Lavoura
            Enxadas
            Cangas                       
            Enxada de bicos
            Picaretas
            Enxada de mato, tem um machado atrás
            Arados
            Grade, faziam os dentes o resto era de madeira
            Noras e os respectivos alcatruzes, e reparação. Peça almajarra, com lança e guia do burro e nora de pontaria. Fez 5 noras numa primavera e acabou depois só reparações.
Peças fundidas, da fundição do Rossio ao Sul de Abrantes

As mulas e ou os burros das Noras e da Lavoura, acabam por ser substituidos:
-1º o motor a petróeo na década de 50 e depois o motor eléctrico na década de 60
-2º a charrua, pelo trator e ou a motoenchada

                     Fole da forja

          Engenho manual de furar, era o berbequim desse tempo

Ferramentas
            Escoporos
            Ponteiros
            Afiar ferramenta
Comprava tirifones à CP nos anos 60, para as grades da lavoura; e o carpintteiro aplicava-os e outras tirifones eram só afiados.
Tirifone= tipo prego com anelar ao meio e rosca em cima de ~8cm.
Nos anos 80, faziam-se portões de ferro, portas e janelas.
Nos anos 90 caíu muito  a procura deste tipo de trabalho.

A Forja , tem um tanque para arrefecer a tenaz e dar a têmpera às ferramentas que se faziam, depois da água ainda levava um pouco de calor , algumas para ver a rigidez.
A qualidade do aço e a têmpera é importante, para a qualidade da ferramenta, por exemplo um ponteiro!
                               Tanque de água

           

                               Torno de bancada dos anos 20
            
                                                  Esmeril manual

Fornecedores:
Matos Tavares, Alferrarede.......................carvão para a forja e ferro
Vieira de Leiria e Entroncamento..............ferragens, fechaduras, eletrodos e ferramentas
1969-máquina de elétrodos, do Armando Ferras....depois chegada da electricidade 1959
         
                                        Quadro elétrico de 1969, com disjuntores atuais

Outros Ferreiros dos Valhascos, desaparecidos:
            -João Lourenço Galinha
            -José Luís, ao lagar José Lobato
            -Manuel Ramos, LºFigueiredo


Fontes: Luís Ventura

                                                                                                                  

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Encontro de irmãos em Luanda

    Encontro do Ernesto com o irmão Bernardino em Luanda, 1965
            Fabuloso, dois irmãos com a diferença cerca de 50 anos de idade.

1964 em Novembro – O Ernesto Bernardino Rebelo nascido em 1935 no Lamegal, Pinhel, casado, decide ir trabalhar para Angola.
Na cidade de Luanda, arranjou trabalho e casa, com apoio de familiares.


Contudo ele sabia dum irmão mais velho do 1º matrimónio do pai que tinha vindo para Luanda há muitos anos e não o conhecia.
Considerando o ano 1920 quando o irmão José Bernardino foi para Angola. Luanda seria uma cidade relativamente pequena. O Ernesto num dia de Fevereiro de 1965, se bem o pensa melhor o executa:
Escolhe um Táxi na Mutamba com o motorista, já idoso, vai pela cidade de Luanda procurar o irmão. No caminho, pergunta ao motorista, se conhece o Bernardino, a que este exclamou:
-“quem é que não conhece o Bernardino em Luanda!” Mas o que lhe deseja?
Responde o Ernesto:
-Sou irmão dele e gostava de o encontrar; logo outra exclamação:
-“não pode ser!”,o Bernardino é já muito velho, deve ter cerca de 72 anos e o Sr tem quantos anos?
Responde, 28anos.

Depois desta conversa, o motorista diz que ele mora na Samba, R.Avelino Dias e costuma estar sentado à porta do Stand de exposição de móveis a dormitar sentado numa cadeira, à espera dos clientes. É dono da fábrica dos móveis.
Você está perto do seu irmão !

            Diálogo com o irmão:
Quando chegaram à Mutamba, o Ernesto vai ao encontro do irmão Bernardino...
            -É o Sr Bernardino ?
            -Sou, conhece-me ou vem comprar mobília?
            -Não o conheço, e não venho comprar mobília. Venho conhece-lo e mostrou o BI.
            -O Bernardino levanta-se da cadeira com ajuda do Ernesto, e foi buscar os óculos.
Volta a olhar para o BI e diz:
- diz aqui Bernardino... e sentiu-se mal.
            O Ernesto ajuda o Bernardino a deitar-se num colchão que estava perto, e fez sinal para chamar um empregado, que lhe trouxe um copo de água.
            Depois duma pausa, exclamou: - “tu és meu irmão?” e logo “já tenho Família” !
O Ernesto continuou, estou casado com uma nossa prima. O irmão José Bernardino interrompeu para telefonar para casa,e disse à esposa:
- “põe mais 2 pratos na mesa!”.  Saíram os dois juntos no carro do Bernardino, passaram pelo local onde estava a esposa do Ernesto a trabalhar e foram almoçar a casa do Bernardino.
O Ernesto disse-lhe que estava hospedado em casa do cunhado José Agostinho, irmão da esposa. O irmão Bernardino ficou intrigado porque não o procurou. E disse:
-Eu vou lá almoçar, mas só "quero um prato apenas com feijão"!
            Claro, que o Ernesto lembrou-se do significado em Pinhel dos feijões (“conheces-me de algum lado, já comeste feijão commigo”).
Quando ocorreu o almoço, começou por picar uns feijões e ofereceu ao irmão Bernardino, que ficou surpreso! A partir dali começaram a tratar-se por tu.


            
Passou tudo, agora tenho uma família. Começou o convívio, e os pique-niques ao Domingo para vários locais de Angola, como:
            -Massangana
            -Dondo, nas margens do rio Kwanza e perto da barragem de Cambanbe
            -Banza Quitel
            -Caxito, junto ao rio Panquila
            -Mabubas, onde há uma barragem

            A terapia do convívio famíliar
O irmão Bernardino que já andava com dificuldade e bengala em 1965, ganhou vida e largou a bengala e ainda viveu até 1975.  Com cerca de 82 anos deu-lhe uma trombose e faleceu.
Foram 11anos, de convívio familiar intenso, que o Ernesto recorda com saudade.



Fontes:
            Ernesto Rebelo, a quem agradeço a gentileza da história mimosa.
            Fotografia actual do Ernesto e dos tempos do encontro.



                                                                                             

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Poesia REFOOD



Refood de Carnide, instalada no Lar Maria Droste, Irmãs do Bom Pastor, desde 2015

           
   
              
NEM SEI POR ONDE COMEÇAR
HÁ TANTO PARA DIZER!
VAMOS VER O QUE SAI,
PARA A TODOS AGRADECER

PRESENÇA, COMPROMISSO,
AMIZADE, BOA DISPOSIÇÃO,
É ASSIM À TERÇA FEIRA,
COM AMOR NO CORAÇÃO

TODOS JUNTOS EM EQUIPA
PARTILHAMOS IDEIAIS
SEMPRE COM UM MOTE EM MENTE
“VAMOS TENTAR FAZER MAIS”

SEMPRE MAIS E MELHOR
POR VEZES COM MATÉRIA PRIMA ESCASSA
SEMPRE A PENSAR EM QUEM TEM MENOS
NEM UMA MIGALHA ESCAPA!

18.30 CHEGAMOS,
COMEÇA TUDO A MEXER,
VÊM AÍ AS FAMILIAS
HÁ MUITO QUE FAZER!

PÕE AVENTAL,
PEGA O SACO,
ABRE O FRIO,
TIRA A CAIXA,
EMPACOTA,
PÃO E BOLOS A SEGUIR,
IOGURTES, LEITE E VERDURAS,
ESTÁ PRONTO A SAIR!

LEVA SACO,
LAVA CAIXA,
SECA,
ARRUMA,
VARRE E LAVA O CHÃO, ESTÁ QUASE,
NEM UM SENÃO!

NÃO FICA NADA POR DAR
TUDO TEM DE SAIR
SE HÁ BENS A SOBRAR
HÁ QUE DISTRIBUIR!

POR FIM AS DESPEDIDAS,
BOA SEMANA DESEJAMOS,
ATÉ À PRÓXIMA TERÇA
PARA A SEMANA CÁ ESTAMOS!!!

Para a equipa I turno de terças –feiras da Refood Carnide, com amizade,
Paula Abrantes em Dez.2016


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Taberna da Ti Maria Torrada



Taberna da Ti Maria Torrada
 Barca do Pego-EN nº3, Alferrarede, Abrantes.


O pai trabalhava nos fornos de cal do Bom Sucesso como encarregado e decidiu fazer uma taberna, para a filha  (quando esta tinha 7anos), para esta vir a ter melhor vida, em 1943. Ficou a  ”taberna do torrado” e fixaram uma placa de madeira no exterior a dizer:
“vinhos e petiscos com elas” (azeitonas)
Passado algum tempo passaram lá, os fiscais da C.M. de Abrantes, que queriam o pagamento por ter a tábua no exterior, e logo, a tábua foi retirada.
Quando a Maria Torrada começou a ir à Escola Primária, a mãe recomendava sempre para não se demorar, para vir ajudar na taberna.
                    
O nome Torrada, veio do pai; este andava com uma camisa rota a trabalhar nos fornos de cal do Bom Sucesso, as zonas dos rasgões ficaram queimadas do sol. Tinha ele 14anos.


 No início quem ficou na taberna foi a mãe Jacinta, e a filha Maria Torrada ajudava.
A Maria recorda que nesse tempo na taberna só se vendia:
-vinho tinto e branco
-aguardente e abafado
 
-tabaco de onça, Duque o mais forte e mais quantidade-velhotes, superior e Francês.
           -tabaco definitivos, mata-ratos, Paris e 3 vintes mais caro.

Notas
  1-tinha uma licença especial para vender tabaco, que comprava no armazém do
Sr Lopes em Abrantes, agora é o Pingo Mel.
  2-o vinho e as outras bebidas, ia abastecer-se ao armazém do Sr Vitória em Alferrarede, casa verde ao lado do cinema.


Frigorifico, não havia.Tinham um pequeno tanque com areia, sem fundo, onde metiam água todos os dias, da mina ou dum poço, por ser mais fresca que a água do Tejo. As cervejas enterravam-se na areia com o gargalo para cima e ficavam mais frescas. Era tapado com madeira. Com a infiltração da água na terra não cheirava mal.
Água, para as lavagens, em especial dos copos, ia todos os dias ao Tejo com o burro busca-la, uma ou 2 vezes. Para beber ia à fonte Omnia da Quinta da Anadia.

A 1ªtaberna era pequena e ficava ao lado dum depósito de cal, onde fica a taberna atual com residência. Funcionou entre 1943 e 1956.                       

A 2ªtaberna foi na casa do rancho na Barca do Pego, entre 1956 e 1961.
A taberna actual é a 3ª, começou em 1961 aquando da construção da casa de 1ºandar. Ficando a habitação em cima no 1º e a taberna em baixo no r/c om um espaço reservado de cozinha para grupos assarem o petisco.           

Algumas histórias das milhentas, que a Maria Torrada vai contando, é como um rio em que a água límpida ainda corre; assim conta com palavras simples e claras as vivências e as amizades criadas nesta taberna que se encontra cheia de afectos. Sem esquecer os 80 anos quase feitos desta menina com uma memória fantástica.

-Rezineiros, anos 1940, 50 e 60, os chefes de vários grupos que vinham das aldeias próximas como Alcaravela, Mação , Evendos, etc. Iam levar os bidons de resina a Alferrarede à SOER e ao Sr Lagoa. O local de paragem  para comer a bucha, era na taberna da Maria Torrada.
Traziam um chouriço num pacote de papel pardo e ali conviviam a comer e a beber vinho. A Maria era pequena, muitas vezes comia com eles e ouvia as suas histórias.

-Estudantes, anos 1950, 60, 70, vinham para o Colégio Infante de Sagres do Professor Santana Maia que tinha internato e ficava nas Mouriscas. Saíam no comboio em Alferrarede e depois iam de carro para as Mouriscas, parando na taberna da Maria Torrada.
Depois do 25 de Abril de 1974, o Santana Maia vende o Colégio ao Estado.

-Ranchos para a azeitona, vinham do Carvoeiro, S.José das Matas e Alcaravela para a apanha da azeitona nos olivais da Quinta da Anadia; tinham trabalho até ao Natal. Paravam na taberna da Maria Torrada.

-Os melhores clientes eram os homens dos Fornos de Cal que funcionaram até ao início da década de 1960, e os clientes da Cal que vinham de Barco e com carros de Bois de longe, e os burros com alforges.

-Grupo de amigos e cantadores, que animaram muitos fins de tarde o convívio da taberna.
Imagine-se as anedotas que se contaram na taberna e contam.
Acrescento um pequeno episódio: um indíviduo que frequentava muito a taberna e um dia passa com a esposa de carro, este pára o carro para a esposa ver quem era a Maria Torrada de que falava em casa, “qual não foi o espanto”, era uma velha taberneira e amiga que ajuda o convívio de fim de tarde depois dum dia de trabalho!!!


Fontes:
Maria Torrada, o meu bem haja pela disponibilidade e simpatia.
Fotografias do tabaco e abafado partilha da net.