sexta-feira, 13 de abril de 2018

António Dias Alves


           

A pessoa existe enquanto houver memória dela




António Dias Alves foi avô emprestado de António Martins, era vizinho deste no mesmo prédio em Lisboa, na R. dos Mastros nº10-3ºE, no Conde Barão.

            António Dias nasceu em 1903 na C.Mós, Sardoal..........avô emprestado
                        António Martins nasceu em 1955 em Lisboa.......neto

O António Martins, é actualmente comerciante de peças de arte e decoração antigas, em Arroios, Lisboa. Recorda com muito carinho e saudade este avô, que segundo ele lhe deu o gosto pela cultura e pela arte. Sempre que saía, levava-o, pedindo aos pais do Martins. Visitavam de tudo e conversava muito com o Martins.


Restaurante Quinta de S.Vicente 1961, mãe e o filho António Martins mais os avós Olinda de Jesus/António Dias Alves.

O António Dias Alves nascido na Cabeça das Mós em 1903  , onde fez a 4ªclasse. Cedo saíu da aldeia:1º para trabalhar em Alferrarede,2º Mora e depois foi para Lisboa.Entrou para o Estado;  foi trabalhar para a Comissão Reguladora do Comércio e mais tarde no Grémio do Bacalhau( organização que controlava a pesca do bacalhau).Actual instalação da Fundação Oriente em Alcântara, Lisboa.
Casou mas não teve filhos;  talvez por esse facto, tenha apoiado o crescimento do jovem António Martins de quem era vizinho.

Relatos deste avô que António Martins, recorda com muito carinho e saudade!
1-Ensinamentos
-Nos estudos: exame da 4ªclasse,  recordava sempre ao Martins para ter cuidado com as rasteiras. Citando como exemplo; a rasteira que lhe fizeram no exame da 4ª:
A professora afirmou “na sua terra passa uma ribeira em Abrantes, como se chama?”
                        -“não é ribeira´é o rio Tejo” respondeu o avô Alves
-falava dos países, das bandeiras
-falava de tudo menos futebol e de jogo de cartas
2-Locais mais visitados, nos dias de folga do avô Alves
-Cacilhas, a travessia de barco no rio Tejo e depois o almoço no Gingal e à noite jantar com os pais.
- Viagem de eléctrico do Cais do Sodré até à Cruz Quebrada. Durante o percurso falavam dos locais de passagem e também das capitais do mundo e dos seus regimes. Ensinava as bandeiras dos países e explicou o regime Inglês bipartidário, onde governavam ora republicanos ora democráticos.
-Quinta de S.Vicente, almoços
-Passeios semanais na beira Tejo
-Feira das Mercês
-Feira da Luz
-Férias em Cascais, em casa da sobrinha da avó adoptiva, o marido era o comandante da guarda em meados dos anos 60.
-Férias na Sertã, terra da avó adoptiva Olinda, na aldeia Carnapete.
1960-Férias na Sertã, António Martins com 6 anos

E sempre os almoços na casa do avô adoptivo no dia do passeio.

O Martins já não tinha avós, o pai era electricista na Marinha e mãe trabalhava em casa de senhoras, a servir.A mãe aprendeu a arte de fazer certos pratos com a avó Olinda.
A DªOlinda tinha trabalhado em casa do Dr Bissaya Barreto em Lisboa e na casa do
Dr. Cancela de Abreu, e por isso sabia muito de cozinha e excelentes pratos.

O Martins saíu do Conde Barão cerca de 1970 e o avô e vizinho faleceu em 1972. Tendo ficado no cemitério do Alto S.João em Lisboa.


Em resumo, este avô emprestado António Dias Alves, ficou “gravado a letras de ouro”
na memória do Martins, agora com 63anos ainda recorda com muito carinho!



Da familia deste “avô”, há familiares a viver na sua terra de origem, Cabeça das Mós.


Dª Prazeres  é esposa do João do café,
Cabeça das Mós, Sardoal.

                                                                                  


 Fontes:
            António Martins, Lisboa
            José Lopes
João Santos
            Teresa Cascalheira

sábado, 7 de abril de 2018

Adega Kilowatt


            Adega Kilowatt, Amarante

            Inaugurada em 1929, herdou o nome/alcunha do seu fundador, que por ser cobrador de luz foi baptizado tanto pelo povo como pelos amigos de Kilowatt.
Começou a ser conhecida pela adega com o melhor vinho da região a que juntou as melhores sandes de presunto.



                                                          

Por volta de 1959, a filha e o genro do fundador tomaram conta da Adega Kilowatt, mantendo os produtos de qualidade e juntando mais fumeiro para o petisco.
     
    

Ao terminar o século xx ~1999, a Adega Kilowatt foi adquirida pela família
                                   Armando Freitas e esposa
                                   DªMaria José Pinto Freitas
Que mantiveram a qualidade e alargando ainda mais a oferta de produtos da região:
Bom vinho, presunto, fumeiro, alheiras, queijo, vinho verde, toucinho fumado, etc.
   
        


A Adega é pequena mas muito funcional e acolhedora, tendo por base já do início,
                        A qualidade do vinho e das sandes de presunto

Actualmente a Adega Kilowatt já aparece nos guias de turismo como cartão de visita à cidade de Amarante.
Seguem-se frases de clientes:
            Paragem Obrigatória
Simpatia a transbordar
Casa familiar com atendimento simpático e humilde
Já lá passou o James Bond
Melhor presunto e queijo do mundo,
Bom chouriço assado e bom vinho
           Representa o bom sabor tradicional português 



Termino com uma quadra do dia dos namorados na Adega
Quem passa por S.Gonçalo de Amarante.
Não deixa de lá voltar!
Pedir para casar
E ao kilowatt ir petiscar

                                                                                


Fontes e vivências pessoais:
Helderbarros.blogspot
Mini-hidrica de Fridão
Memgundar.blogspot.com
Jornal de Amarante
Monumentos desaparecidos

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Ourives de Braga António José Ribeiro



            Ourives António José Ribeiro desde 1948, Braga
Ourivesaria Ribeiro, Largo de Sª-a-Branca nº36 r/c. Actualmente com outro dono.
 

Nasceu em 1930 e aos 10anos começou numa oficina de ourives como aprendiz, o seu 1ºtrabalho foi um coração com argolas para colocar num fio de ouro. Com cerca de 18 anos em 1948, iniciou o seu negócio como ourives.

           
 Casou com Amélia Olinda Pereira, em 1956  que lhe deu 8 filhos:
-Luís António Ribeiro                                  
-Óscar Ribeiro                                              
-Maria Sameiro Ribeiro       
-Manuel Ribeiro
-Armindo Ribeiro
-Bento Ribeiro
-Maria Manuela Ribeiro
-Armindo Ribeiro     
           
Olinda Pereira mais conhecida por Olinda do Ourives

Ao Fim de semana, anos 1950 e 1960, sábado ou domingo, ia à ribeira (onde é hoje o S.João) lavar a roupa e levava todos os filhos; que aproveitava para eles tomarem banho com sabão azul e branco, na ribeira.
Além de tomarem banho, iam mais acima na ribeira, já na horta do S.Abrão (Abreu?), para apanharem fruta; iam à “chinchada” e quando o dono aparecia diziam que estavam a tomar conta.





Em 1965 comprou uma moto “Ducati”, esta mota era tipo “Táxi”, chegava a levar a esposa com o bébé, Bento, ao colo e mais 2 filhos, deixando a esposa no mercado e depois ia para a ourivesaria.

            Mota Ducati
Obrigava os filhos a limpá-la duas vezes por semana. Como o Manuel e o Armindo tinham mais jeito, eram eles destinados a esta tarefa e claro não queriam!!


Balança, um instrumento muito importante nesta arte




 

Peças feitas pelo António Ribeiro,
Pregador, brincos, pendentes, anel, anel de noivado, cordão bracelete







Na Ourivesaria e Joalharia, tinha outras peças de decoração, tais como
            Relógios, toucheiro, esculturas religiosas de madeira, etc.
          

















 
Ourivesaria Ribeiro
            Largo de Sª-a-Branca nº36 r/c
            4710-443Braga
            Tel 253611907






Fontes:
            Bento
            Maria Sameiro
            Pai António José Ribeiro
            Internet, mota semelhante à de 1965.

                                                          

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

CANUDO

      Canudo: feito por latoeiros para os
                        Diplomas dos estudantes universitários

Expressão: “ter o canudo” era muito comum no século XX, mais nos anos 1970/80 e 90
Era sinal de ter um curso superior, logo melhor emprego e sinónimo de bom ordenado.

Sinónimos:
cilindro oco, diploma de curso superior, palhinha ou tubo para sorver líquidos, encanudado

De seguida apresento dois canudos da Universidade de Coimbra (uma das mais antigas do mundo), ambos de licenciatura em Direito, desfasados no tempo 100anos:
1866-Eça de Queiróz, que foi Diplomata e escritor no séc XIX. 
1966-Manuel Rodrigues de Carvalho, que foi advogado em Lisboa no séc XX.


     Canudo do Eça de Queiróz, 1866
     Foto na casa museu Eça de Queiróz de Tormes

                       Entrada da casa museu













                              Canudo do Manuel Rodrigues de Carvalho, 1966
 

 
                       Canudo, em lata amarela, com o diploma devidamente selado e lacrado.


                             Escrito em Latim, 1966 Coimbra



Canudo era e é:
-sonho de muitos pais para os seus filhos.
-aspiração de muitos jovens.
-também sinónimo de saber mais, pesquisar, de evoluir.
-sinónimo de universidade.
-etc.




Fontes:
-visita da casa museu Eça de Queiroz de Tormes
-gentileza de Fernanda Carvalho, viúva de Manuel Rodrigues Carvalho

                                                                      

domingo, 26 de novembro de 2017

EDIFER

EDIFER, empresa de construção civil com origem na Cabeça das Mós, Sardoal
No século XX, chegou ao topo nacional como 6º  ”player” na construção civil 





Fernando Pires Coelho, nasceu em 1920 na Cabeça das Mós. Era duma família de carpinteiros, e cedo começou a profissão de carpinteiro.
Veio para Lisboa novo, trabalhou na carpintaria de Silvério Lourenço, que era da Presa, Sardoal. Estudou à noite na Escola Industrial Machado de Castro tirando o curso de Construção Civil,  e recordava muito o ter que ir para a bicha do carvão, estamos na época da 2ªguerra mundial a atravessar tempos difíceis.

 Trabalhou para vários patrões, havia pouco trabalho e era constantemente despedido, às vezes só tinha trabalho para uma semana. Até que prometeu a ele mesmo que ninguém mais o despediria, ia criar a empresa dele, decidiu avançar sózinho por volta de 1945.

Concorreu a pequenos trabalhos até que concorreu à remodelação do Quartel Militar de Elvas que correu muito bem. Foi o 1ºtrampolim, continuou a tomar obras e a dar trabalho também aos irmãos e a trazer trabalhadores da Cabeça das Mós e aldeias próximas.

Em 1953, constituiu a Sociedade de Construção Fernando Pires Coelho Lda, mais o sócio (cunhado) Amaro Lobato. Os irmãos como já se tinham afastado criaram também a sua Sociedade Pires Fernandes, e Irmãos Lda (Joaquim, António, Luís e Providence). Destaco dois casos de trabalhadores nestas Sociedades.
1-1960/1 o João Pereira da Cabeça das Mós,entrou na Sociedade do Fernando Pires Coelho, numa obra dos Olivais com Pareceria, conta como eram as condições difíceis nas obras em termos de dormitórios, pouco espaço, pouca higiene. Tem a história curiosa de sendo servente na Construtora Abrantina, apresentou-se como pedreiro nos Olivais em Lisboa, indo comprar ferramenta velha à Feira da Ladra, para parecer que já trabalhava à muito na arte! Claro, puseram-no à prova na feitura dum muro,foi muito duro.
2-1965 o Ti Bejamim mais os filhos João e Adelino da C.Mós, foram trabalhar para a Sociedade Pires Fernandes e Irmãos; vieram de comboio até SªApolónia, Lisboa e foram a pé para uma obra nos Olivais na Qª da Laje. Daqui foram para a obra da Estrela na R.Borges Carneiro, construção dum  prédio. O Eng da obra e dono fazia exigências anormais, estiveram só um mês e uma noite por ordem do patrão abandonaram a obra levando todos os materiais para outra obra a Escola Madre de Deus, terminando assim o contrato.

Na placa;  EDIFER:  Firmeza, Vontade, Perseverança    
                 Fundação 1966


 Neste percurso de família, em que concorriam entre si, decidiram dar um passo maior, e em 14 de Abril de 1966 criaram a:
EDIFER-Construções Pires Coelho & Fernandes, S.A.R.L. Unindo 5 irmãos e o amigo Amaro Lobato de Entrevinhas. Desactivando as ex-empresas.
O primo Carlos Alberto Pires Coelho que começou em 1961 na Sociedade do Fernando Pires Coelho, fez o depósito de constituição da EDIFER na C.G.D. em 1966, ficando a partir desta data como tesoreiro da Edifer e até 2006.
Em 1967 a Edifer inicia a actividade com a construção do prédio ao lado do Café Califa em Benfica, Lisboa.



                                  

1976-Aquisição de mais terrenos anexos às instalações da Venda Nova, o Fernando Pires Coelho viu a oportunidade e avisou os irmãos da vontade de comprar, e assim aconteceu, adquiriu:
-terreno nas costas e contiguo da Edifer que era da C.M.Amadora para oficinas e cresche.
-terreno oposto dos cabos Celcat, onde se instalou os dormitórios do pessoal deslocado.
-terreno oposto da PT, onde se instalou grandes oficinas.
Fez uma almoçarada com o pessoal e os irmãos não compareceram, passado pouco tempo todos lhe deram razão da visão para oportunidade de crescimento sólido da Edifer. 


                       

 Construções que foram marcos de crescimento da empresa
-1966 a1969 Palácio da Justiça de Lisboa,  deu-se o grande impulso na Edifer com esta obra.



-1988 com o projeto e a construção do Banco Lioyds, veio o prémio Valmor desse ano.


                       
-prédio da PT para instalação da central das Laranjeiras.
-museu de Etnologia, em Belém.
Obras que revelam a capacidade de resposta para construções com fins muitos diferentes, não se cingindo à habitação. Esta foi concerteza a 1º grande aposta.
Criando formação interna.
Criando condições e conseguindo a certificação ISO9001 e outras.
A Edifer chegou a ter 9081 trabalhadores, no auge da construçao civil em Portugal.

Ràpidamente os trabalhadores da EDIFER, na sua maioria de aldeias do Sardoal, como a Cabeça das Mós, Alcaravela, Serra; organizaram-se, contrataram uma camioneta que os levava à 6ªfeira á noite e os trazia Domingo à noite para Lisboa.


Organização tipo nas obras EDIFER
A empresa tinha um grupo de Arquitectos para desenhar os projectos e também contratava fora, chegou a contratar o Siza Vieira.
Em cada obra havia um só encarregado com um alvorado e um seguidor, lembro aqui alguns encarregados (3 irmãos da Cabeça das Mós)bons e muito respeitados a dirigir obras e homens:
            Ti Jerónimo Custódio ou “Mata Pretos”
            José Custódio
            Manuel Custódio
Depois havia um engenheiro que orientava geralmente mais do que uma obra e até três que visitava diáriamente. O engenheiro Gabriel Santos (vindo da Casa Pia) foi um dos primeiros.
Escritórios, oficinas,centro de formação, refeitório, cresche, dormitório e tribunal de justiça, na Rua das Fontainhas, Venda Nova. O 1ºmotorista de serviço foi o Ti Romeu na sede.
Vou destacar o tribunal, criado pelo Joaquim Bruno Pires Coelho para resolver sempre que possivel os problemas dentro da empresa, como acidentes de trabalho e problemas laborais com o pessoal.
Na Edifer estava o Sr Barata, que era duma companhia de seguros para ajudar a resolver os problemas de acidentes de trabalho.
Nas decisões do tribunal estava sempre o Joaquim Bruno Pires Coelho.
Na Páscoa, em Abril a EDIFER dava 1 mês de ordenado a todos os operários, com informação dos lucros e dos prejuízos e em que obra, por ordem do Joaquim P.Coelho.

Vencimento era mensal, o apontador ia a cada obra e levava os envelopes com o dinheiro de cada trabalhador.

Acordos entre empresas, para responder a grandes obras:
-ACE -> associação complementar de empresas por projecto, tem autonomia financeira, de recursos humanos e decisória em todos os momentos da obra.
-Consórcio -> contrato particular, são feitos relatórios mensais para as empresas e elas é que tomam as decisões, é um sistem mais difícil de caminhar, está sempre dependente.

Depois da crise mundial de 2009 a Edifer que já estava com dificuldades, foi-se agravando até ser vendida.

2016-a EDIFER foi adquirida pela “ELEVO” em conjunto com mais 3 empresas. Neste momento 16/11/2016 as instalações da Edifer na Venda Nova, rua das Fontainhas começaram a ser demolidas e o espaço vai ser utilizado na construção de um condominio fechado de luxo.




Histórias na Edifer
1-Episódio marcante na vida do Daniel Semedo; que fazia a manutenção de máquinas.
Estava a trabalhar em 1976 num prédio das Pedralvas, Benfica. Recebeu uma ordem vinda do Joaquim Pires Coelho da admistração para ir trabalhar para a obra do Palácio da Justiça, ele informou o encarregado “Mata Pretos” e foi levado pelo Ti Romeu para a dita obra.
Ficou a trabalhar no turno da noite, o Daniel conta que estavam a fazer os caboucos do Palácio da Justiça e andavam lá cerca de 200 marteleiros a abrir os caboucos em rocha. Ele andava com 2 bidons de 12l de gasóleo e funil a encher os depósitos dos compressores, reparava com braçadeiras os furos nas mangueiras que levavam a pressão, substituia correias e resolvia outros problemas. O encarregado desta obra era o Sr Quinas.
Uma noite depois de jantar apareceu lá o Joaquim Pires Coelho, equipou-se com roupa de segurança e pediu ao Daniel para irem ao fundo da obra aos caboucos. Ouviam-se os martelos mas a luz estava apagada. Disse ao Daniel para ligar o gerador, e logo a iluminação mostrou os martelos a trabalhar sem ninguém (estavam seguros). Saíram do fundo e o Joaquim perguntou ao Daniel pelo Sr Quinas ao que este respondeu que tinha ido  para o escritório e jantar, despediu-se e passado dias chamou o Daniel à administração à Venda Nova. Quando ali chegou os administradores estavam reunidos, a dada altura o Joaquim virou-se para ele e disse:
 “você mentiu para mim, essa cartilha já a tinha deitado fora”, e acrescentou “tu mentis-me, nunca mais o faças, diz-me só a verdade, regista isso e fica com isso na tua memória”.
É claro que o Daniel sabia que o sr Quinas tinha ido jantar e, só costumava aparecer de manhã.
Depois disto, foi para lá o encarregado “Mata Pretos” e o Sr Quinas veio para o escritório, e ficou à espera de nova obra.

2-Cais das Colunas, na Pç Comercio, foi desmontado em 1996 aquando das obras do metro, pela EDIFER. Os 500blocos de pedra foram guardados nas instalações da Edifer na VendaNova e posteriormente a CMLx guardo-os, foi reinstalado 11anos depois tendo como dificuldade principal lidar com as marés.



3- Histórias de Vidas e ciclos de vivências,  ~1970 a 2000, Contratadores de camionetas mais ligados à Edifer:
            -Piçarreira e Florêncio de Alcaravela
            -João Matos de Entre Serras
Lembro-me do meu pai João Pereira, quando queria ir à C.Mós combinar a camioneta e íamos apanhá-la na 2ªcircular na Ponte da Luz às 19H de 6ª e regressávamos às 20H de Domingo da C.Mós.
            Era cómodo ir à aldeia, levar e trazer coisas, e no regresso de Domingo à noite era comum  a alegria e as “bebedeiras”.
Motorista José Machado- mora na Tesoureira, a Cabeço de Montachique; trabalhou como motorista na empresa de camionagem da Póvoa da Galega até  ~ 2005.
Práticamente durante 30 anos fazia muitos extras de fim de semana; a camioneta era alugada ao fim de semana, ia 6ª à noite e regressava no Domingo à noite, para levar o pessoal à terra, que trabalhava em Lisboa.
Terras de Sardoal, Vila de Rei , Tomar. Depois de deixar o pessoal ia a Tomar apanhar o comboio para Lx e no Domingo voltava para pegar na camioneta e apanhar o pessoal das terras e trazer para Lisboa, já pela noite dentro. Na época das festas em especial no Verão, era convidado a ficar numa das aldeias e fazer em média mais 2 serviços:
-no Sábado à noite levar o pessoal às festas
- e no Domingo de manhã levar as velhas à missa das 9H;
Ganhando o motorista, o contratador e a firma também um extra para gasóleo.
Neste ciclo de vivências, chegou-se a alugar camionetas a 3 firmas.
Os velhos reformaram-se, os filhos estudaram e ficaram a morar por Lisboa e arredores. Os que vão à terra já vão nos seus carros, de modo que acabou este tipo de transporte.

4- História do dinamismo empresarial da Edifer.
A Edifer de Albertino António Bernardo por Celso Filipe  25 Março 2012(Jornal Negócios)
Há quarenta anos, ia para a porta da Edifer, na Venda Nova, à espera do toque da sirene que anunciava a pausa para o almoço. Às vezes para entregar ao meu tio a marmita com a refeição, outras para lhe fazer companhia até casa.

O meu tio, Albertino António Bernardo, comprava madeira para a Edifer, fiando-se no olhar clínico de quem não tinha feito outra coisa na vida. Ele tinha orgulho na empresa do Coelho e do Fernandes, que por essa altura estava a singrar. E eu tinha orgulho nele, porque trabalhava numa empresa com nome e como sobrinho ainda tive direito, em uma ou duas ocasiões, a uma prenda de Natal. De vez em quando, também, visitava o grande armazém, espantado com a quantidade e a diversidade de madeiras que se acumulavam em pilhas gigantes. O meu tio era feliz na empresa e isso fazia-me feliz a mim. Quando se reformou, a Edifer fez uma festa bonita e ofereceu-lhe uma estátua evocativa da data, que ainda hoje guardo em casa. ......(inicio do artigo).


  
   


                                                                                          


Fontes:
            Livro dos 25anos da Edifer-1966 a 1991
            Carlos Alberto Pires Coelho
            Adelino Pimenta Lopes
            João Pimenta Lopes
Adelino Falcão
            José Pimenta Lopes
            João Pereira
            Daniel Semedo
            Internet, Celso Filipe
            Conferência no Palácio Bon Sejour-Lx, DªAlexandra Carvalho Antunes "Cais de Pedra",2017             José Machado, motorista dos fins de semana.

sábado, 30 de setembro de 2017

Ferreiro de Carnide



          Eugénio Pinto Vicente e Rogério
          Na R.Norte nº2, ~de 1930 a 1980
            1-Caracóis em janelas e portas, como fazer
            2-Portões como se assentavam antigamente

1-Caracóis com barra de ferro
a) a quente, à forja e com moldes
Difícil é o começo do caracol, para ficar com o redondo perfeito.  A ponta a quente é achatada tipo faca e apertada; depois entra no molde.
Ficam perfeitos, demoram mais tempo e logo são mais “caros”, era a técnica antiga e usada pelo Eugénio Pinto Vicente (pai do Rogério) até aos anos1970.

    Grade de caracóis-1952, porta do Asilo das velhinhas, R.Norte nº45, Carnide




b)a frio, inovação do filho Rogério Vicente nos anos 1970.
A barra de ferro é trabalhada manualmente a frio, faz-se mais caracóis em menos tempo, não são é tão perfeitos.





2-Portão de ferro , como se assentava antigamente.
                      R.Norte nº24
 
a) Nas pedras do portal, são abertos os buracos com escoporo e ponteiro, tipo ninhos mais largos no interior do que na abertura onde entra a ferragem que segura o portão.

b) Assenta-se o portão com calços e nivela-se, com as unhas nos buracos. Por baixo de cada buraco faz-se uma concha em barro para segurar o chumbo liquido.

c) Com uma colher de ferro e terminação em bico na concha, enche-se com bocados de chumbo, depois vai ao lume a uma fogueira até ficar liquido. Depois mete-se em cada buraco das dobradiças, e na solidificação bate-se com um escoporo para entrar e encher bem o buraco.

            Portão feito e assente ~1951 na R.Estrada da Luz nº176, Lar das Doroteias
 
          
                                         Largo da Mestra, antiga escola republicana de Carnide

Esta fixação é duradoira, vê-se grandes portas e portões com centenas de anos ainda a funcionar com esta fixação.


Fontes:
            Rogério Pinto Vicente
            Convento de Carnide, antigo “Asilo das Velhinhas”
            Escola Republicana de Carnide
            Lar das Doroteias (Irmãs do Bom Pastor)




                                                                                  

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Quinta da Arcêz



            Quinta da Arcêz, Cabeça das Mós, Sardoal

 
A Casa Senhorial, actual residência de Carlos Neves e família
           
O pai, Dr. João Germano Neves da Silva, médico e chefe de Patologia no Hospital de Oncologia de Palhavã (óbito em 1977). Deu um grande impulso à quinta, com a construção da levada de água de ~1200m comprimento (1945). Esta era utilizada para regas, azenha, consumo da casa, animais, etc. Criando também uma feitoria com trabalhadores agrícolas para auto sustento da quinta.

 

A mãe, Maria Luísa Leal Matos e Silva, herdou a Quinta da Arcêz. 
 
           

Influência positiva desta família no Concelho Sardoal
1-Avô materno de Carlos Neves, pagou a 1ªFilarmónica e construíu o 1ºTeatro do Sardoal.
Esta família tem também origens em Vila de Rei.
2- A Ponte da Arcêz na EN358, foi construída a pedido do pai Dr João Germano Neves da Silva ao secretário das obras públicas nos anos 50, construída ~entre 1960 e 63, onde trabalhou o Bejamim Lopes, e inaugurada em 1966. Antes era uma pequena ponte de madeira,pedonal, junto à água. As carroças atravessavam o leito da ribeira.
A actual ponte, já era pedida hà muito, pelas populações locais; para facilitar as deslocações a Abrantes e ao Alentejo.

 

Localização da Quinta da Arcêz, desde a barragem até à zona da ponte na EN358
 
Nota: verifico um erro no “googlemaps”, a Capela está assinalada onde era o curral das ovelhas na Quinta ( mais tarde usado como café), fica junto à barragem. Assinalei a vermelho.
A ponte da Arcêz inaugurada em 1966 fica na EN358, próximo da casa Senhorial ,e das casas de apoio, assim como de todo o vale que era cultivado ( lado direito da imagem). Verifica-se no local, que a ribeira está invadida com árvores. Predominância de acácias.

A Quinta da Arcêz foi no séc XX ~ anos 1940 até início de 1980 uma das principais entidades empregadoras da aldeia Cabeça das Mós. Todo o vale da ribeira da Arcêz desde a Lapa até à ponte que dá para as Mouriscas era cultivada ( margem direita), ~1km. Sempre com grandes milherais, aveia e trigo.
 
A arca de 125 Kgs ~ 60 alqueires. Chegavam a encher  7 arcas destas com os cereais. Em cima da arca pode ver-se o ferro com o  logotipo da quinta um “ A” que se vê marcado na arca e com que se marcava o gado também.

 
Cavalo em pasto livre da quinta


Quinta composta por:
-capela da Lapa, onde o Bispo da Baía ia celebrar missa todos os dias, percorria a pé todo o vale desde a Casa Senhorial até à capela, séc XVII.
- Casa Senhorial
-Fontanário, existindo outro com mina no exterior onde o Bispo da Baía bebia.
-Azenha de rodízios com 2 pares de mós “Francesas”, mais rijas para moer o cereal. Era uma de milho e outra de trigo. O Serafim da azenha da Lapa é que picava as mós. Faziam uma farinha muito boa e fina.
-Lagar de Vara de azeitona puchado por muares e nos anos 60 o lagar novo a motor de gasóleo.
-estábulo
-adega
-armazém de cereais
-casa da criadagem e que foi depois armazém de batata no 1º e de fruta no r/c. Hoje com o dono Carlos Neves foi adaptada para Turismo Rural-considero simplesmente encantadora com a ribeira ao lado. Os hóspedes são acordados aos primeiros raios de sol, por uma orquestra de pássaros dos choupos da ribeira !

 


Sinos, a quinta tem dois em locais diferentes, onde um dava o toque de pegar ao serviço e outro o de despegar. No verão o almoço era de 2 horas, permitindo dormir a sesta.
Os sinos tinham que se ouvir no ponto mais longínquo, que é ao açude da lapa.

Levada, vai da Lapa onde está a comporta geral até à azenha e pelo caminho a levada  tem várias comportas para a rega. Foi construída  cerca de 1945, era o Carlos Neves miúdo e lembra-se dos pedreiros na sua construção.



 Trabalhadores fixos anualmente, eram cerca de 10, com horário de sol a sol, a sua jorna nos anos 1960 era de 22$50/dia, pagamento semanal ao Domingo depois da missa no Largo da Cabeça das Mós. Havia semanas que alguns só trabalhavam 2 a 3 dias.
José Maria
Manuel Esteves
Ramiro Moleirinho
Sebastião Maranga
Ti Paulina Esteves
Ti Maria Andresa
Pastor-SªVitória, com 90 ovelhas
O feitor Luís Filipe Gaspar Bernardino nascido em Vila de Rei em 1935. Entrou ao serviço da Quinta da Arcêz em 1962, e foi também o moleiro e mestre do lagar da quinta, fazia também o vinho e a aguardente para consumo da casa.
A esposa do feitor Ludova da Silva Barreira, tratava da criação (1-mula, porcos, marrãs criadeiras, 3-vacas, perus, galinhas e coelhos) e fazia ainda o pão para a quinta.
Antes do feitor Filipe foi o feitor Canhoto que era de Vila de Rei(... a 1962).

 
 Carlos Neves (78anos) com José Lopes em 7/4/2017 juntos ao velho alambique de barro

Trabalhos executados, roçar mato, cavar, regar, engorda de vitelos (compravam em pequenos e vendiam-nos com cerca de 300Kg), e pastoreio de ovelhas. Havendo ainda os ciclos da azeitona e dos cereais.

Ciclo do azeite, a quinta tinha outras propriedades só de olival tais como:
-do cemitério do Sardoal até à EN2 e passando pelo eucalipto histórico com 600 pés de oliveira, onde perto havia uma casa destinada ao rancho de mulheres que vinham de Alcaravela (Pisão) para a apanha de azeitona, a que se juntavam os homens fixos da Arcêz.
-actual zona industrial do Sardoal, era olival com cerca de 300 pés.
-Tapada Nova e margem esquerda da ribeira até ao Casalinho na Cabeça das Mós.
Houve um lagar de vara até meados de 1960, e depois a quinta instalou um lagar novo com motor a gásoleo. O mestre lagareiro era o Manuel Ferreiro e depois passou a ser o feitor Filipe Bernardino.

O produto da quinta destinava-se a toda a família Neves e vendiam para fora:
-queijos frescos (chegou-se a fazer 90/dia) e secos, o leite sobrante era para a casa.
-vitelos
-borregos
-porcos para criar
-leitões

Produções excecionais de anos bons:
-200 alqueires de milho
-60 alqueires de trigo
-125 alqueires de aveia

A lavoura nos anos 1960 ainda era com arado e uma parelha de mulas e mais tarde, passou a uma mula mas havia já um motocultivador, sendo o 1º na Cabeça das Mós.

1971-O Dr João Germano Neves da Silva decide alterar o funcionamento da Quinta da Arcêz a contento, alugando a Quinta por 24 000$00/ano em géneros ao feitor Filipe Bernardino.
Depois do falecimento do Dr Germano Neves, ainda ficou 5 anos até 1980 com o filho Carlos Neves. 

 
Filipe Bernardino, 18anos feitor na Quinta, de 1962 a 1980




Um pouco de história da Quinta da Arcêz

 
Capela da Lapa-existe uma Benção Papal  do ano 1659.

            O Bispo da Baía Dom Gaspar Barata Mendonça, celebrava aqui missa. Aquando da nomeação pela Bula “Divina Disponente Clementina” em16/11/1676, para a Baía. Uma doença grave acometeu-o,  e durante os 10 anos seguintes passa longos períodos de vilegiatura e convalescência na zona de Arcêz e Lapa, pertencente à sua família, onde em contacto pleno com a natureza dessa paisagem ídilica e, ao mesmo tempo, sedativa e repousante, procurava aurir a saúde perdida. Faleceu a 11/12/1686.
O vale para o lado de Entre Serras, chama-se Vale do Arcebispo, onde existe uma fonte com mina, e em que muitas vezes era só este o alimento do Bispo.

Já no século XX a quinta era pertença de DªMaria Eliza e DªNatividade de Vila de Rei, como não tiveram filhos deixaram-na à afilhada Maria Luísa Leal Matos e Silva que veio a casar com o Dr João Germano Neves da Silva.
A quinta actualmente é do filho Carlos Neves.


                                                                                             


Fontes:          
            Carlos Neves, Quinta da Arcêz
            O último feitor(encarregado), Filipe Gaspar Bernardino de 1962 a 1980, 18anos.
            José Pimenta Lopes
            Livro dos 75 anos do IPO, onde trabalhou o Dr João Germano Neves da Silva
            Beatriz Lopes, lembra-se de ir levar o almoço ao pai Bejamim Lopes à ponte
            www.sardoalmemória.net, D.Gaspar Barata de Mendonça