quarta-feira, 27 de maio de 2020

S.Francisco Xavier e as viagens marítimas


                                             O Apóstolo das Índias

Este Blog pretende apenas sublinhar as viagens feitas em 11anos por Francisco Xavier, numa época muito difícil, se compararmos a segurança e as condições a bordo duma caravela com um barco de cruzeiro de hoje.
Estudou no Colégio de Santa Bárbara em, Paris, e depois foi professor no Colégio de Beauvais, onde conheceu Francisco de Loyola, sendo cofundador da Ordem de Jesus em 1534 na capela de Saint-Denis, em Montemartre, Paris. A Companhia de Jesus estava fundada, e é reconhecida pelo Papa em 1541; destinada ao ensino, à conversão e à caridade.
Tinha o dom da palavra, falava vários indiomas e pressentia os acontecimentos, realizou vários milagres no Oriente convertendo muita gente à religião Cristã. Tornou-se o grande Santo e padroeiro do Oriente.

 
Pintura feita em 1579, Pe Manuel Teixeira e Castelo da família em Xavier, onde nasceu

            Nasceu em Navarra no ano de 1497(não consensual), do reino de Pamplona, ano em que Vasco da Gama partiu de Lisboa, Portugal, em busca do Oriente. Na tentativa de descobrir a Índia, Vasco da Gama deu início a uma nova corrente que alterou o curso da história da humanidade.

O pedido de missionários do rei D.Manuel I de Portugal ao Papa, para o Oriente, fez chegar a Lisboa o Pe Francisco Xavier com 43anos, em meados de Junho de 1540 e também o Pe Paulo Camerte e o Pe Simão Rodrigues. Foram convidados para viver nos aposentos reais. Contudo pediram, que lhes fosse permitido viver no hospital dos pobres e andar por entre os ricos de Lisboa para pedirem esmolas para os mais necessitados.

As viagens de Francisco Xavier a partir de Lisboa para o Oriente, Goa e daqui para os vários locais já descobertos pelos portugueses, até à morte em Sanchoão, 3 de dezembro 1552.
Sendo Malaca onde Francisco esteve mais tempo no seu período de missionário de 11 anos e onde realizou vários milagres.

Quadro de milhas e Mapas das viagens, a côres mais actual e a preto mais antigo e real em especial na curva que as caravelas tem que dar para chegar à àfrica do Sul:



 A duração das viagens baseiam-se em amostras de tempo de viagens com tempo preciso registado, retirando o tempo nos portos. A viagem de Lisboa a Goa demorou 13 meses, contudo os 5 meses de inverno, de Setembro de 1541 a Fevereiro de 1542, foram passados em Moçambique.
Baseados nestes cálculos aproximados, temos 38000 milhas percorridas e 25,5 meses gastos nas viagens marítimas. Imagine-se o sofrimento naquele tempo passado no mar.

Num documento do século XVI, para a tripulação de 31 homens numa caravela, por mês é necessário:


 Dando uma ração diária para cada homem de:
                    760g – biscoito, muitas vezes bolorento e mal cheiroso
                    356g – carne, entregue mensalmente
                    1,5l – vinho e igual em água
                    0,6l – vinagre, também usado na limpeza do porão
                    0,3l – azeite
                    1 – posta de ~0,1 de pescada



Não havia higiene a bordo como a conhecemos hoje. Cada um cozinhava para si.          
O espaço limitado para tanta gente, a falta de higiene, as agressões climáticas e o balancear das caravelas; originava várias doenças, sendo as mais comuns, as náuseas, as enxaquecas, o escorbuto, a peste, doenças indestinais e pulmonares. Morria muita gente.

A obra deixada por Francisco Xavier é imensa, só em Malaca onde esteve 5 vezes, fundou a escola “Sekolah” em 1545 na 1ªviagem e uma Igreja. A língua Malaia tem cerca de 450 palavras portuguesas.


 










  
Igreja de S.Francisco em Malaca, e Milagre em Malaca.
 


Morte de Francisco Xavier,  a sua canonização e o dia da sua veneração

 Relicário do corpo do Santo, em Velha Goa.Morreu a 3 de dezembro de 1552, em Sanchoão, China.
Foi Beatificado em 1619 pelo Papa João Paulo V e Canonizado em 1622 pelo Papa Gregório XV.
É venerado a 3 de Dezembro, mas o dia das festevidades de S.Francisco Xavier é no domingo a seguir. Fazem-se peregrinações anuais de milhares de católicos, ao túmulo do Santo, onde se realizam serviços religiosos.
Francisco Xavier é o Santo Patrono da Malásia, da Austrália, Nova Zelândia, Indonésia, India, China, Sri Lanca, Borneu e....

Nota: em torno do nascimento há 1497(livro baseado num oficial da tripulação da ida para a India) e 1506(da internet).
Fontes:
-livro “A voz das ruínas” pelo Pe Manuel Pintado
-livro “Cardeal D.José da Costa Nunes” editorial A.O.Braga
-consultas na internet

                                          
                

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Ar Condicionado Inverter


Como funciona o ar condicionado Inverter?

A tecnologia Inverter faz com que o compressor nunca precise ser desligado e, desta forma, picos de voltagem não ocorrem. Como o próprio nome já diz, o Inverter funciona como um inversor de frequência que controla a velocidade de compressão do ar condicionado.




Diferênças do Ar Condicionado
Convencional
Inverter
Necessita algum tempo para atingir a temperatura
Atinge a temperatura mais rápido
A temperatura oscila
Funciona com picos de energia
Circuito liga/desliga para climatização
Mantêm a temperatura constante
Evita picos de energia
Circuito inteligente para climatização
O jato de ar é mais intenso
O jato de ar é suave e contínuo
O ruído é elevado e maior no liga/desliga
O ruído é reduzido
Mais avarias e maior manutenção
Manutenção mais de limpeza de filtros

Vantagens do AC Inverter
1-O objectivo do sistema inverter é reduzir o consumo de energia, que pode chegar até 60% conforme o modelo e a marca do aparelho.
2-O nível de ruído é menor, graças ao sistema de operação moderno interno, que faz com que o compressor opere em baixa rotação.
3-Não agride o meio ambiente. Inverter também é chamado ECO, usa gás ecológico
4-A tecnologia não interrompe outras funções como: Sleep, Timer, Turbo e mais.
5-O sistema Inverter pode estar presente em vários estilos de ar:
            Split Hi-Wall, Cassete, Piso Teto, Multi-Split!


Inverter é conforto e comodidade, com economia de energia, sem agredir a natureza.
Procure os modelos com alta eficiência. A DECO fez pesquisas e dá uma boa ajuda na questão das marcas.

                                   Exemplo prático com dois splits para 40/50m2, Mitsubishi

Sistema exclusivo para unidades interiores da série MSR_HR, Multisplit AC inverter
Uma única unidade exterior MXZ-2D42VA, pode ser ligada a 2 unidades interiores – split MSV-SF20VA;
Diversidade de saídas de ar - temperatura interior mais estável e homogénea em toda a casa;
Controlo Inverter - menor consumo(disjuntor 10A neste caso), maior conforto de Inverno e de Verão; especialmente a linha MSZ-EF recebe valores de SER e SCOP(índices de eficiência sazonal) que lhe permitem alcançar a classe A+++ para arrefecimento e aquecimento na classe A++.
Controlo independente de cada unidade interior;
Melhor estética exterior - menos espaço necessário para a instalação;
Funcionamento silencioso.

Fontes:Folhetos, informação verbal, Deco e internet
                                                                                                      
 

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Vedor na Cabeça das Mós, Sardoal

 Vedor na Cabeça das Mós, Sardoal
                                                      Luís Francisco Pimenta Pereira


           
             Começou com uma brincadeira do antigo Vedor José Alves Pintado  da Cabeça das Mós, que estando no café da DªLuísa Pimenta no centro da aldeia, lhe propôs experimentar, aproximadamente em 1967 quando o Luís tinha 7 ou 8 anos. O José Pintado colocou o Luís à prova com a vara de oliveira e passado instantes exclamou, “ainda dá mais do que a mim”, e “quando vira a vara é porque há àgua”. E  de seguida colocou o primo António Pimenta Lopes que também tem sensibilidade de vedor.
            Prosteriormente,  cerca dos 10 anos ensinaram ao Luís Pereira a forma mais acertiva de marcar um furo para água:
-marcar de nascente e de norte, porque em geral é donde vem água
-depois marca-se de Este até cruzar a montante
-depois a jusante até fazer o cruzamento
A vara de oliveira não permite detectar a profundidade a que se encontra a água.
Radioestesia, é a sensibilidade que algumas pessoas têm a radiações e energias.


            Vedor, o que se detecta:
-água para abertura de furos ou poços.
-bancos de minério, quando o ramo está sempre a vibrar e vira, forma normalmente um retângulo.
-e aquíferos, tipo fendas no interior da terra tipo lagoa.
Quando a vara exerce pressão e vira há probabilidade de existir água.




Trabalho que ao longo de anos tem feito de forma gratuita, às vezes tem gente à espera que o Luís vá à aldeia para marcar furos.
Costuma beber  um copo de vinho tinto no fim porque ajuda, este ato de Vedor, faz palpitar o coração e o vinho ajuda!

Nota: No passado recente antes de comprar um terreno na aldeia era aconselhável mandar verificar se o terreno tem água, aconteceu commigo nos anos 80, foi lá o José Pintado e no fim tive que lhe pagar um copo de vinho tinto na taberna da Ti Marta.

Fontes:           
            Beatriz Pimenta
            Luís Pimenta Pereira
            José Pereira

                                                                                                         

sábado, 24 de agosto de 2019

Injecções sem agulha em Carnide


            Injecções sem agulha

 Em Carnide,morava a “ enfermeira” Irene; a sua formaçao tinha sido a prática no dia a dia.
Desde os anos 1950 a 1985, a avó da Palmira e da Lili, exerceu como enfermeira; era tipo “João Semana”:
Não  cobrava dinheiro pelos os seus serviços aos pobres, só a quem tinha posses.


Começou no Dispensário da SCMLx, na Estrada de Benfica nº323, perto do Bairro Grandela.
Inicialmente, distribuia as farinhas e os xaropes às pessoas, aviava as receitas passadas pelo Dr Damas Mora.
Mais tarde a sogra saíu, e ela começou a dar também injecções,  passado algum tempo a SCMLx queria lá uma enfermeira com diploma, mas o Dr Damas Mora responsabilizou-se por ela e ficou.

Injecções sem agulha à miudagem
As crianças,tinham medo de levar injecções e quando era necessário,só menina Irene é que lhas dava,porque:

“a menina Irene das injecções não tem agulha? “
E ela, a Irene, mostrando a seringa, dizia-lhes:“vês alguma agulha?  Não !
Pode fazer doer um pouco porque eu tenho que carregar com o bico da seringa, as agulhas é só para os grandes”. Esfregava bem com o algodão embebido em álcool e aí espetava a agulha, mostrava a seringa depois da a agulha já estar espectada e avisava, agora é que vai doer um bocadinho porque vou encostar a seringa ao rabiosque e empurrar o liquido.
Mostrava a seringa na caixa e esfregando outra vez com o algodão para desinfectar , retirava a agulha do algodão onde a escondia, mostrando o algodão outra vez.
Das primeiras a levar injecção sem agulha em Carnide foi a neta Lili que dizia: Não dói porque é sem agulha. O algodão com o álcool escondia a agulha, ela batia forte com a mão e o algodão e logo metia a agulha, encaixava a seringa e ia metendo o liquido devagar.
            No fim, mostrava a seringa e o algodão que tinha a agulha escondida.
Fazia todo o trabalho de enfermagem pedido plos médicos, Dr Damas Mora e depois em Carnide pelo Dr Farinha:
            *pensos
            *injecções
            *partos, etc.
            De noite se a chamassem, ia a qualquer hora, acompanhada com o cão Benfica, às azinhagas dar injecções.
            A Dª Margarida (Guida) Vitorino Arantes de Oliveira conta que muitas vezes era em sua casa  que a enfermeira Irene ia estrelizar as agulhas e as seringas que eram de vidro. A Irene pedia à Maria Vitorino(avó da Guida) e levava um pequeno tacho para ferver durante alguns minutos, ficando OK.



Estojo da Menina Irene, de seringas e agulhas, para os diversos serviços:
-agulhas grandes para dar injecções (à esquerda), intramuscular, intraglutias
-agulhas médias para tirar sangue para análise (ao meio), endovenosas
-agulhas pequenas para dar soro, plasma, insulina (à direita), interdérmicas
Composição: seringa de vidro=embolo+corpo, canhão(adaptação vidro/metal), agulha

Os drogados
Nos anos 1970 em Carnide havia um grupo de jovens curiosos pela droga ,começaram a fumar uns charros e talvez outras drogas.
Eles juntavam-se no recanto de porta de garagem ao lado do restaurante Coreto, nesse tempo era a casa da DªIrene, ficavam na converseta pela noite dentro. A DªIrene pela 1 ou 2H da madrugada ouvia ruídos, abria a porta e ia ter com eles, pois conhecia-os de lhes dar injecções.
O que estão aqui a fazer? Os vossos pais estarão aflitos sem saber onde andam;  eles respondiam que estavam só na conversa.
Quando era inverno, convidava-os a entrar e bebiam um chá ou comiam uma sopa e dizia-lhes: vão para casa ter com os vossos pais, que já são horas. Se não àmanhã,  faço queixa aos vossos pais.

 Onde morou a “Menina Irene das injecções sem agulha”, actual restaurante Coreto.


Na sala mortuária em 1985, aquando do falecimento da menina Irene, pelas 2H da madrugada, entrou um grupo de rapazes e raparigas que fazem um circulo à volta da caixão com espanto de quem estava no velório, ficando todos em silêncio e receando por ser o grupo dos drogados. Não falaram a ninguém, ficando vários minutos em silêncio nesse circulo e abandonando de seguida a sala mortuária.
Recorda com carinho a neta Palmira, e também o Coelho que fazia parte deste grupo
apelida-a de grande Senhora Irene.




                          
   Neta Palmira                         Neta Maria Leonilde (LiLi)             Guida Vitorino Arantes de Oliveira

 Também a chamavam para partos, em geral na rua, a Lili recorda um parto na subida da Rua Neves Costa ao lado do palacete dos Arantes de Oliveira, uma Sª que vinha da Pontinha com compras e pariu ali mesmo, foram chamar a DªIrene. Ela fez o parto ali e foi depois elogiada por um médico pela qualidade que viu.
Conta a prima da Palmira, na década de 1950, a enfermeira Irene fez 2 partos em casa em cima de um canapé.
 Aconteceu vir uma senhora grávida a pé da Pontinha e quando chegou à escadaria do Alto do Poço já não aguentou mais e pediu ajuda, e foram chamar a enfermeira Irene que morava perto, onde é hoje o restaurante Coreto, logo levaram a grávida para casa e ali fez o parto. Depois a Sª já com a criança foi ao hospital e elogiaram o trabalho bem feito de parto. Posteriormente aconteceu outro parto semelhante, também já no fim do tempo e vinha também a pé da Pontinha.




 
  Em 2019 a Junta de Freguesia de Carnide quiz atribuir frases em vários pontos de Carnide velho, em jeito de gratidão da avó Irene, falaram com a neta Palmira que sugeriu as frases acima na fotografia na Rua Neves Costa.


Fontes:
            -Netas Palmira e Maria Leonilde (Lili)
            -SªMargarida (Guida) Vitorino Arantes de Oliveira

quinta-feira, 14 de março de 2019

Poetas e poesia

Poeta repentista António Felizardo 4


                      









Olha lá bem para mim
Para ver se eu te convenho
Sou muito bom rapaz
Mas dinheiro é que não tenho

Se eu tivesse a liberdade
Que o sol e a lua têm
Entrava na tua casa
Sem licença de ninguém

Se o teu novo namorado
Souber contas de somar
Não lhe contes o passado
Pois tens muito que contar

Nas ondas do teu cabelo
Ensinaste-me a nadar
Hoje que já estás careca
Ensina-me a patinar

Já chove, já está chovendo
Pingas de água no jardim
Graças a Deus que já tenho
Mulher fixe para mim

Se eu canto, dizem que eu canto
Se eu choro, dizem que eu choro
Se olho para ti e me rio
 dizem que te namoro

                  Amigos do café da 4ª, Ernesto, Aristides, Felizardo e Pereira(fotógrafo).

                                                                     
 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Lagares de Vara


            Lagares de azeite de Vara
            Cabeça das Mós e Alcaravela, Sardoal



Este Lagar de azeite de Vara deve ser muito semelhante ao que existiu na Cabeça das Mós, na zona do colmeal, actual Rua 25 Abril do Ti Joaquim Belo. Ainda laborava nos anos 40 do século xx.
Em 1950 já estava desactivado, neste década serviu para exibir peças de teatro, promovidas e ensaiadas pelas professora primária Maria do Carmo. O Carlos Alberto Pires Coelho ensaiou lá a peça de teatro “RECITAS”. A Beatriz Lopes também se recorda de ir assistir lá ao teatro.














 Iluminação a azeite, candeia de 4 bicos do lagar

Moinho de galgas a tracção hidráulica, que no Ti Belo era tracção animal, com uma mula.

Vara enorme, normalmente de castanho com fuso sempre bem lubrificado e uma pedra grande de 1 a 2 toneladas, para prensar e extrair o azeite.


 


















Fazendo subir a pedra para extrair o azeite               O aperto das ceiras pela vara e o fuso c/ a pedra



O azeite depois de extraído. Daqui vai para as tarefas a decantar, ficando a água no fundo e o azeite em cima, depois as tarefas são purgadas por baixo até saír a água ruça toda para um depósito nos baixos do lagar, chamado “inferno”. O azeite vai então ser arrumado em vaselhame de barro ou de chapa.



Outros lagares e de vara existentes em Cabeça das Mós, todos desactivados:
            -Lagar de vara da Lapa, uns 20m depois da capela. Do Ti Luís Alpalhão.
Este lagar era movido pela roda de azenha, com água trazida pela levada  da ribeira de Entrevinhas. O Luís Santos do café ainda se lembra de lá ir levar azeitona com a carroça no fim dos anos 50 e 60. Com a construção da barragem desapareceu.
            -Lagar da Rua Casas Crespas, construído nos anos 40 por Boaventura Milheriço e o Camilo a 50% cada. A tracção era feita por um motor monocilindro a diesel, que transmitia por uma correia o movimento a um veio instalado em chumaceiras na parede do lagar  longitudinal, donde partiam correias para as várias funções; moenda, bateria, e uma prensa.
Nos anos 50 foi adaptado um dinamo de 12V que carregava duas baterias 12v, que alimentava a iluminação a 12v instalada no lagar. Este lagar foi adquirido pelo João Lagarinho.
            -Lagar do Ambrósio à EN; mas detido em 33% por António Ambrósio, Júlio Ambrósio e Miguel Moleiro. Já tinha um motor de 2 cilindros a diesel e duas prensas. O José Lopes trabalhou aqui alguns anos nas campanhas do azeite. Em ruínas.
            -Lagar das Cavadas de Manuel Alpalhão e mestre lagareiro, tinha instalado um motor de 2 cilindros e duas prensas. Transformado em habitação.
            -Lagar do Vale Porto, era de Manuel Dias Bia, depois Alcoino Alves e mais tarde adquirido por Joaquim Alves “pintado” que o transformou em serralharia. A família Bia chegado o tempo da azeitona contratava um rancho para a apanha e o lagar só trabalhava para esta família. O Manuel Pires Coelho ainda em 1945/6 fez reparações neste lagar.

Lagares de vara e outros existentes em Alcaravela, todos desactivados:
            -Lagar de vara de Amieira da Cova, Cabril, Porto Escuro e Cimo dos Ribeiros.
            -Lagar com motor a diesel no Cimo dos Ribeiros, Tojalinho, Panascos e Vale Formoso.
            Actualmente a azeitona de Alcaravela vai quase toda para os lagares de Montalegre, o da cooperativa e o do Mogno.
Nesta última campanha só abriu  a cooperativa de Montalegre e a “funda” foi baixa, inferior a 10, como exemplo duma medura de 402Kg de azeitona recebeu 37l de azeite.Neste lagar ainda se leva para casa o azeite da nossa azeitona.

Em Alcaravela, ainda no século XX, as serras à volta eram cobertas de oliveiras, o pinheiro bravo era pouco. Só nos anos 60 começou a desaparecer este olival e aparecer mais o pinho.
Nos casamentos, as famílias, informavam-se se o namorado tinha olival suficiente e só assim permitiam o namoro da filha; soube dum caso nos anos 60 na Presa.



Fontes:
-Maria do Céu de 86anos, filha do Ti Joaquim Belo.
-Fabrico de Azeite, por A.Urbano de Castro, edição da Empresa Nacional de Publicidade, Lisboa 1932.
-Visita em 2016 a um lagar de vara em laboração, numa ribeira de Góis.
-Alcaravela memórias de um povo, pelo Dr. Augusto Serras, edição da C.M.Sardoal.
-José Lopes
-Manuel Mendes Pereira de 79anos, Presa
-Beatriz Lopes
-Carlos Alberto Pires Coelho



sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Manuel Correia Falcão, mecânico de material aéreo


            Manuel Correia Falcão, n1934 na C.Mós
            Mecânico de material aéreo, nos anos iníciais da Força Aérea Portuguesa

Fez a inspecção para a tropa em 1954, como qualquer jovem daquela época;  no fim desta, o Sargento perguntou, se alguém queria ingressar na Força Aérea podia meter os papéis para mecânico, e insistiu precisando:
 “ quem estivesse interessado em ir para mecânico de material aéreo,  só precisava que já tivesse trabalhado em serralharia ou com ferreiros “

           
            O Manuel Falcão, tomou a decisão de SIM !   O pai era Ferreiro na C.Mós, Sardoal e ele trabalhava com ele. Por isso já tinha alguma prática.
Esta foi uma aposta de vida sem medo do desconhecido e pronto para aprender; sempre com muita formação e uma abertura para um mundo para além da aldeia de Cabeça das Mós.


 

Em 1954 foi colocado na BA1-Sintra e em 1955(Base criada em 1939) fez o Curso de mecânico de material de avião durante 1 ano (curso de avião). Era um avião Inglês o “Chipmunq”, foi o 1ºavião de treino dos pilotos em 1952, um mono-motor de cilindros invertidos. O chipmunk ainda voa em 2018 na Força Aérea.

No fim de 1955 foi colocado na BA3 em Tancos, a trabalhar como mecânico de material de avião até 1965. Em 1956 mudaram o nome para mecânico de material aéreo.
Em Tancos trabalhou no Junker de origem Alemã, trimotor de alcunha “canguru” por ser parecido com o mesmo. Avião de transporte de carga e lançamento de pára-quedistas, onde Hitler terá voado.


1965-foi para a Guiné na 1ªcomissão, BA12-Bissalanca onde ficou até 1967.
Trabalhou no Dornier DO-27 com motor Americano de 6 cilindros horizontais e a estrutura (carcaça) era Alemã, era um avião de transporte de carga e pessoal entre os quartéis.
Também fazia manutenção de aviões Cub. Este era um avião de treino pequeno, com 4 cilindros e hélice fixa.
 Avião DO-27



1967-foi para Monte Real 1 ano, base criada para aviões de jacto. Trabalhou em aviões T33-F86-F16 Americanos e jactos Fiat.

Aviões a jacto, em cima T33, ao meioF86 e em baixo F-16

De 1968 a 1984 voltou a trabalhar na base de Tancos.
Nestas datas ainda fez uma 2ªcomissão  na Guiné de 1971-1973 com aviões Noratlas, era um avião trânsatlantico que levantava 21toneladas, peso da carga e do avião.

Em 1973 fez parte da equipa que foi buscar a Espanha, Sevilha 20 aviões Aviocar, tipo casa 212, o motor era feito em Fénix nos EUA. Em Sevilha era feita a montagem e pós-venda.
Avião turbo-hélice, para lançamento de 22 para-quedistas com os seus equipamentos. Também era usado no transporte de feridos. Estes aviões já não foram para as ex-colónias. Em Tancos foram vistos os problemas e partiram-se 2 aviões nas aterragens,
            1º na aproximação à pista de Alverca.
            2º na aproximação à pista do Pico nos Açores.
O erro foi igual, na aproximação não por falta de visibilidade mas por instrumentos que se partiram nos 2 aviões.

Quando passou à RESERVA /Reforma era Sargento Ajudante. Faz agora com gosto o que aprendeu em criança; agricultura, onde destaco o vinho( como uma boa pinga que já provei) e o mel, pois ainda resiste como apicultor; o que é difícil devido às actuais doenças nas abelhas e a abelha asiática que já apareceu no concelho de Sardoal, devorando e atacando as nossas abelhas.

Fontes:
-Manuel Correia Falcão, “Nélito” o próprio com 84anos.
-José Pimenta Lopes, vizinho e amigo da C.Mós.
-José Pereira, estava em Alverca nas OGMA em 1972/3, aquando da Guiné e os Aviocar. Estive na área de Electrónica de Terra onde se reparavam os equipamentos de telecomunicações dos teatros de guerra das colónias portuguesas e dávamos apoio às manobras da Nato.

                        

-Júlio Santos, n1940 na Venda Nova, foi também mecânico de material aéreo, esteve
com o Manuel Falcão na Guiné, era especializado em aviões a jacto.