Sargento Nunes, da
tropa foi para o Colégio Militar, onde ficou de 1910 a 1968
Alfredo António Nunes, nasceu em JF Belém em 1889, casou em
1919 em S.Mamede , Lisboa, com Laura Mendes Nunes, e tiveram 3 filhos.
A história de vida em termos
de viagens do pai da Vergínia/DªGina N1932, contada na 1ªpessoa, pela filha.
“Era uma pessoa boa, civilizada e
interessada por muitas coisas. Acho que era também alguém que sem ser rico, (no
tempo em que ele - e todas as pessoas da classe média – eram pobres) conseguiu,
com coragem, imaginação, e espíríto de sacrifício, concretizar alguns sonhos.
Quando eu nasci o meu pai tinha
44 anos. Tinha já perdido 2 filhos. Isto contribuiu para ser uma menina mimada.
Apesar da óptima formação que ele tentou dar-me, tenho bastantes defeitos de
filha única. No entanto sei que ele não foi o responsável.
Voltando à
vida dele ; adorava viajar. Então o que fez:
A primeira foi em África. Havia a guerra com as
forças do Gungunhana . O meu pai estava a cumprir o serviço militar e
ofereceu-se como voluntário. No entanto quando lá chegou a Moçambique, a guerra
já tinha acabado. Parece a guerra do Solnado, não é?
Voltando às outras viagens o meu pai foi parar aos EUA.
No dia em que teria de regressar fingiu que perdeu o barco, arranjando trabalho
como alfaiate.
O meu avô
paterno era alfaiate e ensinou o oficício aos 3 filhos (o meu pai, um irmão e
uma irmã).
Para
continuar nos Estados Unidos teria de se naturalizar. Ele não queria deixar de
ser português, pelo que se veio embora. Na viagem de regresso escolheu um barco
que veio por Vigo, o que lhe proporcionou conhecer uma cidade de
Espanha.
Colégio Militar
onde foi Sargento Perfeito e Alfaiate
Casa em Carnide na Azinhaga das Freiras
Anos depois, já casado e com uma
filha voltou aos EUA. Foi nessa altura que a minha irmanzinha morreu. A minha
mãe disse-lhe que sem filha e sem marido não queria estar. Ele voltou então
para Lisboa, não sem ter escolhido um barco que veio por Inglaterra.
Algum tempo
depois pensou ir a Pinhel (que não conhecia e era a terra da sua mãe).
Como não tinha dinheiro resolveu ir de bicicleta. A meio do caminho começou a
chover. Mais uma vez o ofício valeu-lhe. Ofereceu-se para trabalhar numa
alfaiataria enquanto a chuva não parasse. Quando os dias de chuva passaram continou
a viagem.
Logo que
chegou a Pinhel disse de quem era filho, pelo que lhe informaram vários
familiares.
Assim
acabaram as aventuras.
Não
gostaria de escrever mais porque tenho receio de enfadar quem teve o interesse
em ler estas linhas, mas há uma coisa que define o carácter de meu pai. Vou
tentar ser breve.
Ele
trabalhou muitos anos no Colégio Militar, onde obviamente conheceu muitos
jovens que vieram a tornar-se pessoas importantes.
Anos mais
tarde soube que uma dessas pessoas era um almirante que iria ao Brasil entregar
um barco. Pediu-lhe para o levar. O Senhor disse-lhe que sim, mas que voltariam
de avião, pelo que o meu pai teria de regressar às suas custas. Embora a minha
tia vivesse lá e, portanto, ele não precisaria de hotel, mas não tínhamos 6 mil
escudos que era o preço duma viagem para Lisboa.
Pouco tempo
antes de morrer o meu pai disse que Deus tinha-lhe dado tudo o que ele
desejava, menos deixá-lo ir ao Brasil.
Não sei se é desde essa ocasião, mas considero que a seguir
à saúde a coisa mais importante da vida é o dinheiro.
Peço
desculpa mas soube-me bem relembrar uma pessoa tão importante na minha vida”.
Notas:
-O Sargento Nunes não sendo alfaiate no Colégio trazia fatos
para acabar em casa, onde tinha ajudas da esposa e da Vizinha Aurora, tia do
Rogério. Estamos nos anos 1944 a 1949 .
O Rogério com 8anos ia sempre com a tia ao serão(trabalho nocturno) e a Gina
emprestava-lhe livros de desenhos animados e aventura para lêr, como “o cavaleiro andante”, “mosquito” e “tim-tim”
e a revista que saía no jornal o século.
-A Esposa Laura, fazia mais trabalhos de alfaiataria e
costura e quem ia entregar os trabalhos era o sargento Nunes, que punha mais
algum dinheiro, ex se era 20$00 ficava em 25$00 e com os 5$00 fazia um
mealheiro anual que era para as férias.
-A Gina foi trabalhar de secretária para os filmes Castelo
Lopes, sendo uma pessoa muito culta, era sempre escolhida para escrever alguma
carta ou ofício fora do comum.
–José Pereira, quando a conheci melhor com
cerca de 80anos andava a rever o que sabia de Alemão na JF de Carnide, ela
gosta muito de línguas e de comunicar com o outro.
Fontes:
-Vergínia / Gina, filha do Sargento Nunes
-Rogério Vicente, N1938 e mora na R.Neves Costa
-Eugénia, empregada da DªGina, que foi por mais de 30 anos,
desde os anos 1980 e que trabalhou no Convento de SªTeresa de Carnide; agora
lar onde está actualmente a DªGina.
-José Pereira autor do Blog