domingo, 13 de novembro de 2022

Carta de Carroceiro de Lisboa

 

            Carta de Carroceiro de um animal de Lisboa nº14.448, 11/9/1925

                                        de José Rodrigues Ferreira

 


 Tirada quando entrou ao serviço do Colégio Militar.  Tendo como tarefa principal o transporte de fruta e hortaliça do Mercado de Entre-Campos. Aconteceu uma vez junto ao Mercado, com o vendaval o animal assustou-se com os cabos eléctricos caídos no chão a faiscar. O cavalo estancou, a carroça empinou-se e o cavalo parou nos fios queimando-se  e morrendo electrocutado; o José Ferreira voou por cima do cavalo e caíu bem, ficou só a carroça OK.

 Já nos anos de 1930... foi trabalhar para o Convento de SªTeresa de Carnide, onde havia uma vacaria que abastecia de leite o Convento, o Hospital de S.Luís no BºAlto e a sede das irmãs Vicentinas ao Campo Pequeno. O José Ferreira tinha como tarefa diária levar o leite a estes locais.

Mais tarde nos anos 1950... saíu uma lei governamental em que obrigava as carroças a fazer menos barulho, tendo para isso de se colocar nas rodas uma forra de borracha  no exterior do aro metálico das rodas.            

         


                                                  

domingo, 7 de agosto de 2022

Agricultor e criador de gado bravo, patrão Francisco da Silva Vitorino

 

            Patrão Francisco e depois o filho patrão Manuel

Grande agricultor e empregador em Carnide e Herdade de Figueiras e depois nas Latadas. 

                                   
                                               

 Nascido na Malveira, criou com o primo Pedro Cristino Canas, em 1890 “A Criação de Gado Bravo” na Herdade de Figueiras, Monte Pelados, perto de Canha, Ribatejo; quinta alugada à Companhia das Lezírias. A Herdade é atravessada pela ribeira do Lavre onde os animais iam beber água.

Também criava gado manso, vacas, bois, ovelhas e porco preto. Durante os meses de Dezembro a Junho, a vacada pastava nos prados de erva das lezírias de Vila Franca.  

               Francisco da Silva Vitorino levou a sua ganadaria brava com muito acerto e equilibrio (.....) D.Carlos gostava muito de conversar com Francisco da Silva Vitorino, cujas opiniões aceitava, e algumas vezes o dito lavrador se encontrou no amistoso convívio do soberano e de criadores famosos como Mota Gaspar, Vitorino Frois, José Palba Blanco, etc. Número especial da revista Vida Ribatejana de 1955.

Chegou ainda a ir à caça com o rei D.Carlos I a partir de Carnide, onde se encontravam.


 

 

 

O gado era conduzido pelos caminhos desde o Monte Pelados e pela estrada de Pegões até V-F.Xira, fazendo a travessia em cima de pranchas puxadas pelos barcos “gasolinas”, continuando a pé para Lisboa. A ponte de V.F.Xira foi inaugurada em 30/12/1951.

Criava touros bravos de morte para fornecer a nível nacional. Em 1941 tranferiu-se para a Herdade contigua de Latadas, com a casa nas Latadas do meio.

 

 

 

                 Já nos anos 1960 com o patrão Manuel, os caseiros na Herdade, eram o Januário e a Joaquina. Daqui saíam touros bravos, em camionetas altas para as Praças de Touros.

 


 Em Carnide, o patrão Francisco comprou uma casa parcialmente forrada a azuleijo com jardim, na R.Norte que tinha sido pertença do Pároco de Carnide antes dos Franciscanos(antes de 1939).

 


 
 Alugou a Quinta Grande do Conde de Carnide, que vai deste Palácio até à Quinta da Granja já em Benfica que era dos primos Canas. Onde passou a criar vacas leiteiras, sendo a vacaria anexa ao Palácio da Quinta do Conde. Tinha uma vaca especial chamada Ama, o leite dela era para os bebés, e a cama das vacas era só de areia por causa dos mamilos.

Aqui criava os produtos hortícolas para casa e para venda na praça.

Herdou a Quinta da Penteeira (actual BºPe Cruz) e os terrenos de Alfornelos até ao Passa-Fome, onde semeava anualmente cereais de sequeiro, como o trigo e o centeio. Os animais para a lavoura vinham  de Vila Franca de Xira e eram conduzidos a pé toda a noite.

Soube em Carnide, R.Neves Costa, que havia pais que amedrontavam os filhos com o barulho da passagem dos animais de madrugada nesta Rua e Rua da Fonte; foi o caso da DªLuísa da R.Mestra, nascida em 1929.

  Vacaria, contigua ao Palácio do Conde de Carnide. tem 2 janelas em cima era onde entravam os fardos de palha

 

Empregados; João das Pampas, que veio da Malveira, trabalhava na quinta alugada ao Conde e tinha uma carroça para acarretar água do Chafariz de Carnide, com 6 pipas de 20L para consumo da casa na R.Norte. Tinha um hábito curioso, guardava o tabaco de onça no barrete (tipo ribatejano), que trazia sempre na cabeça, o tabaco era só mastigado.

DªÂngela, cuja tia casou com o filho do João das Pampas e morou também na mesma casa quando casou, lembra-se ainda do cheiro do leite fresco que ia buscar à vacaria da Quinta do Conde de Carnide.

O patrão Francisco pelos anos 1930/40 já velho, tinha uns plainetes no calçado e sentava-se na entrada ao lado da vacaria na porta larga, numa pia em pedra, onde combinava  os trabalhos.

 

As Lavadeiras, iam buscar roupa à R.Norte para lavar; era dar roupa ao rol.

A oficina de carroças com o ferreiro Eugénio Vicente, no início da rua do Norte, quis comprar a oficina e teve a oportunidade dum empréstimo de 30.000$00 escudos do patrão Francisco, sendo pago em trabalhos de ferreiro para as Quintas do dito.

 

Aquando do funeral do patrão Francisco em 1944, saíu de Carnide pela Azinhaga do Poço do Chão para o cemitério de Benfica, quando a charrete estava já a chegar ao cemitério ainda havia pessoas a saír de Carnide.

Foi sem dúvida um grande empregador em Carnide e pessoa muito estimada.

 

 

Fontes:

Margarida Regina-neta do patrão Francisco

Rogério Vicente-ferreiro com o pai Eugénio Vicente

Manuel Lemos-jardineiro R.Norte, Carnide

Maria Ângela –Modista da da Família e fez também o vestido de noiva da Margarida

Livro: História de 3 famílias Saloias editado pela C.M.Mafra

Blog –restos de colecção, ponte de V.V.Xira

 

7/8/2022


 


Poeta António Felizardo 7

 

                                            Poeta repentista de Odemira, António Felizardo 7

              


      
 

És uma rosa encarnada

Lá no meio das mais mulheres

Vou-te falar em namoro

Diz-me lá se acaso queres

 

A rosa é uma linda flor,

Que antes de ser

Rosa foi botão.

Se te apaixonares um dia

Lembra-te do meu coração

 

Menina sem aliança

Vá na rusga prevenida

Que às vezes um par de dança

Não é para toda à vida

 

Dá-me uma pinguinha de água

Quero molhar a garganta

Quero cantar como a rola

Como a rola ninguém canta

 

Dá-me uma pinguinha de água

Dessa que eu oiço correr

Entre silvas e  montrastes

Alguma pinga há-de haver

Resposta:       

Anda cá se queres água

Os meus olhos te darão

É pouca mas é clara

Nascida do coração

 

 Está uma roda parada

À espera de haver quem cante

Pois agora canto eu

Siga a roda vá avante

 

Camioneta de carreira

Espera aí que eu também vou

Levo as cartinhas de amor

Só a minha cá ficou

 

Cada vez que eu vejo vir

Carros à meia ladeira

Lembra-me as moças da Cuba

Pouca parra muita uva

E o vinho da Vidigueira

 

O grilo canta no campo

O passarinho na gaiola

E eu  no entanto

Tento ganhar a camisola

 

O rouxinol fez o ninho

À beira do meu telhado

P´ra aprender coitadinho

Commigo a cantar o fado

 

A folha do salgueiro

É primeira novidade

Tudo requer o que é seu

Tudo requer a idade

 

Há ondas meu bem, há ondas

Há ondas sem ser no mar

Há ondas no teu cabelo

Há ondas no teu olhar

 

03/08/2022

                    


 

                       

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Rádios antigos a Válvulas na C.Mós-1950 a 1960

 

Rádios antigos a Válvulas na Cabeça das Mós, Sardoal, década de 1950

 
          

                                   Rádio Philips,  tipo 844XLO

 

É difícil de imaginar a magia de ouvir rádio nesta época! Quem viveu este tempo! ?

 

As pessoas juntavam-se onde havia rádios, e eram 4 locais;

-Taberna da Ti Luísa/Augusto Pimenta, hoje café da filha Eugénia, no largo da aldeia.

-Casa do Ti Camilo Milheriço, junta ao lagar de azeite, rua das Casas Crespas.

-Quinta de Sº António, professora Maria do Carmo/Manuel Alpahão, rua de S.António.

-Casa da Maria Guilhermina Bia e mais tarde do Alcoino, rua do Monte/rua da Fonte

 

Para ouvir com especial destaque, As Cerimónias de Fátima, Relatos de Futebol e as Notícias.

Vou passar ao rádio que teve muitos ouvintes, na taberna da Ti Luísa; logo de manhã ligava-se o rádio, e depois de fechar à noite, quando havia as cerimónias de Fátima,       a Ti Luísa levava o rádio para o 1ºandar e abria a janela para as pessoas ouvirem. Como novidade era também um chamariz para ir beber 1 copo, hoje seria 1 café.

                                Antiga Taberna da Ti Luísa, actual café da Eugénia, “Gena”

 

 Como eram alimentados os rádios, não havia ainda rede eléctrica na Cabeça das Mós

Confirmei que tinham uma bateria de 12v e um aerogerador/dinamo para carregar a bateria. Com o dinamo avariado ou falta de vento, levavam a bateria a Alferrarede para carregar.

A bateria ligava a um conversor de 12V continuos para 220v-50Hz, alternados.

Os rádios em geral tinham um selector das alimentações possíveis 110, 145, 200, 220 e 245V-50Hz.

          

                                                           Torre do aerogerador ou dinamo

 

Qual a faixa de frequência transmitida?

Era só a Onda Média  de ~700KHz a 1600KHz com modulação em amplitude=AM.

E havia várias faixas de frequência de Onda Curta entre 3-30MHz, de longas distâncias.

-Em 1935 nasceu a Emissora Nacional.

-Em 1936 começou a Rádio Renascênça.

-Depois apareceram outras estações de rádio.

-Destaco o aparecimento da Rádio Antena Livre de Abrantes em 1981 depois do 25 de Abril de 1974, que foi uma das primeiras. Em FM na Frequência de 89,7MHz.

Hoje só existe uma estação na faixa de OM.No final dos anos de 1950 é que apareceu a faixa de FM de 88 a 107MHz com modulação em frequência=FM e de melhor qualidade.

 Informação na tampa de trás do rádio


 

As válvulas usadas e as posições

EM4-o chamado olho mágico, para a sintonia fina da estação a ouvir.

ECH3-amplifica o sinal da antena e converte-o para uma Frequência Intermédia FI.

ECH4-amplifica a FI e faz a desmodulação do sinal para audio.

EBL1-amplificador de som de baixa frequência.

AZ1-duplo diodo para rectificar a corrente alternada em corrente continua.

 

                                 Marca: Philips, Type:844XLO,  e Alimentação 220V-50Hz

 

        Vista do interior do rádio, com sinais de muitos anos desligado. Ele foi adquirido ~1955

 

 Notas:

1-Um rádio antigo, pode ser e é um objecto bonito para decoração que se vê muito em restaurantes e cafés ou antigas tabernas e em casas particulares.

2-Hoje ainda se vai arranjando válvulas de stocks antigos na Internet e rádios antigos.

3-Sugestão a quem goste e queira adquirir um rádio antigo a funcionar, que adquira o rádio com faixa de FM=frequência modulada, onde se apanham as estações todas e com melhor qualidade de som. Porque só com a faixa de OM=onda média, com amplitude modulada=AM, só tem uma estação e julgo que não transmite nas 24H do dia.

4- O esquema eléctrico típico dos rádios, é de um receptor superheterodino.

5-Exemplo do esquema eléctrico das válvulas ECH3 e EBL1:


 

  

 

             Cabeça das Mós, móvel com o rádio de válvulas, integrado no mobiliário da sala de habitação.

 

Fontes, todas da C.Mós:                 

-Carlos Pires Coelho

-Eugénia do café

-António José

-Noémia Lopes

-Beatriz Lopes

                                                        


                                                                                                  

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Mapa de Portugal de 1931

 

                                           


Nos mapas antigos, temos presente informações como:

-a superfície e população por distrito

-produtos exportados

-produtos que precisamos importar

-serras e altitudes

 

Fonte:

Foi recuperado duma herança em Cabeça das Mós, Sardoal, por Carlos Alberto Pires Coelho.

Pertenceu ao avô materno Boaventura Milheriço.

 

 


            

sábado, 17 de julho de 2021

Colégio Militar Sargento Nunes_Perfeito e Alfaiate


Sargento Nunes, da tropa foi para o Colégio Militar, onde ficou de 1910 a 1968

 

Alfredo António Nunes, nasceu em JF Belém em 1889, casou em 1919 em S.Mamede , Lisboa, com Laura Mendes Nunes, e tiveram 3 filhos.

 

A história de vida em termos de viagens do pai da Vergínia/DªGina N1932, contada na 1ªpessoa, pela filha.

 “Era uma pessoa boa, civilizada e interessada por muitas coisas. Acho que era também alguém que sem ser rico, (no tempo em que ele - e todas as pessoas da classe média – eram pobres) conseguiu, com coragem, imaginação, e espíríto de sacrifício, concretizar alguns sonhos.

Quando eu nasci o meu pai tinha 44 anos. Tinha já perdido 2 filhos. Isto contribuiu para ser uma menina mimada. Apesar da óptima formação que ele tentou dar-me, tenho bastantes defeitos de filha única. No entanto sei que ele não foi o responsável.

            Voltando à vida dele ; adorava viajar. Então o que fez:

 A primeira foi em África. Havia a guerra com as forças do Gungunhana .  O meu pai estava a cumprir o serviço militar e ofereceu-se como voluntário. No entanto quando lá chegou a Moçambique, a guerra já tinha acabado. Parece a guerra do Solnado, não é?

Voltando às outras viagens o meu pai foi parar aos EUA. No dia em que teria de regressar fingiu que perdeu o barco, arranjando trabalho como alfaiate.

            O meu avô paterno era alfaiate e ensinou o oficício aos 3 filhos (o meu pai, um irmão e uma irmã).

            Para continuar nos Estados Unidos teria de se naturalizar. Ele não queria deixar de ser português, pelo que se veio embora. Na viagem de regresso escolheu um barco que veio por Vigo, o que lhe proporcionou conhecer uma cidade de Espanha.      

 Colégio Militar onde foi Sargento Perfeito e Alfaiate

Casa em Carnide na Azinhaga das Freiras 

 

Anos depois, já casado e com uma filha voltou aos EUA. Foi nessa altura que a minha irmanzinha morreu. A minha mãe disse-lhe que sem filha e sem marido não queria estar. Ele voltou então para Lisboa, não sem ter escolhido um barco que veio por Inglaterra.

            Algum tempo depois pensou ir a Pinhel (que não conhecia e era a terra da sua mãe). Como não tinha dinheiro resolveu ir de bicicleta. A meio do caminho começou a chover. Mais uma vez o ofício valeu-lhe. Ofereceu-se para trabalhar numa alfaiataria enquanto a chuva não parasse. Quando os dias de chuva passaram continou a viagem.

            Logo que chegou a Pinhel disse de quem era filho, pelo que lhe informaram vários familiares.

           Assim acabaram as aventuras. 

            Não gostaria de escrever mais porque tenho receio de enfadar quem teve o interesse em ler estas linhas, mas há uma coisa que define o carácter de meu pai. Vou tentar ser breve.

            Ele trabalhou muitos anos no Colégio Militar, onde obviamente conheceu muitos jovens que vieram a tornar-se pessoas importantes.

            Anos mais tarde soube que uma dessas pessoas era um almirante que iria ao Brasil entregar um barco. Pediu-lhe para o levar. O Senhor disse-lhe que sim, mas que voltariam de avião, pelo que o meu pai teria de regressar às suas custas. Embora a minha tia vivesse lá e, portanto, ele não precisaria de hotel, mas não tínhamos 6 mil escudos que era o preço duma viagem para Lisboa.

            Pouco tempo antes de morrer o meu pai disse que Deus tinha-lhe dado tudo o que ele desejava, menos deixá-lo ir ao Brasil.

Não sei se é desde essa ocasião, mas considero que a seguir à saúde a coisa mais importante da vida é o dinheiro.

            Peço desculpa mas soube-me bem relembrar uma pessoa tão importante na minha vida”.

                                                    

 Notas:

-O Sargento Nunes não sendo alfaiate no Colégio trazia fatos para acabar em casa, onde tinha ajudas da esposa e da Vizinha Aurora, tia do Rogério. Estamos nos anos 1944  a 1949 . O Rogério com 8anos ia sempre com a tia ao serão(trabalho nocturno) e a Gina emprestava-lhe livros de desenhos animados e aventura para lêr, como  “o cavaleiro andante”, “mosquito” e “tim-tim” e a revista que saía no jornal o século.

-A Esposa Laura, fazia mais trabalhos de alfaiataria e costura e quem ia entregar os trabalhos era o sargento Nunes, que punha mais algum dinheiro, ex se era 20$00 ficava em 25$00 e com os 5$00 fazia um mealheiro anual que era para as férias.

-A Gina foi trabalhar de secretária para os filmes Castelo Lopes, sendo uma pessoa muito culta, era sempre escolhida para escrever alguma carta ou ofício fora do comum. 

–José Pereira, quando a conheci melhor com cerca de 80anos andava a rever o que sabia de Alemão na JF de Carnide, ela gosta muito de línguas e de comunicar com o outro.

 Fontes:

-Vergínia / Gina, filha do Sargento Nunes

-Rogério Vicente, N1938 e mora na R.Neves Costa

-Eugénia, empregada da DªGina, que foi por mais de 30 anos, desde os anos 1980 e que trabalhou no Convento de SªTeresa de Carnide; agora lar onde está actualmente a DªGina.

-José Pereira autor do Blog

 


                                                                       


sábado, 3 de abril de 2021

Colégio Militar 1950, Cabo 20 ou Joaquim Alves

                                         O Cabo 20, 20 ou Joaquim Alves

      

 O “20” nasceu em Azenha de Tanoeiros, freguesia da Encarnação, Mafra em 14/12/1876, era trabalhador do campo. Chegou a idade e foi cumprir o serviço militar e em Abril de 1897, transitou para o Colégio Militar como ordenança do Director. Ia fazer 20anos e recebeu o nº20 no Colégio.

 

 
 

 

 

  Casa onde morou o Cabo 20 na Azinhaga das Freiras em Carnide, Lisboa

 O Joaquim gostava da tropa e foi pedindo para ficar nas fileiras. Aprendeu a ler e escrever. Breve chegou a cabo. Era um praça diligente e principiou a ganhar simpatias.

Tornando-se cada vez mais conhecido e popular entre alunos e professores.

Casou com uma senhora de Carnide a Jesuína, nasceu o 1º filho e com sacrifícios meteu-o nos Pupilos do Exército. Aquando da morte do “20” em 1950 o filho era já o capitão António Alves, teve mais 4 filhos.

 Apresentava-se no Colégio antes da alvorada e só saía já noite. Passando algum tempo foi destacado para telefonista do Colégio. Recebia pois muitos recados via telefone dos pais e avós que prontamente dava aos meninos, assim como encomendas que chegavam para os meninos.

 

    

   Certo dia, a mãe de um aluno deixou ao “20” um embrulho para entregar ao filho. Dois dias depois telefona a saber se o filho dissera alguma coisa, o “20” zeloso com era, informou “sim, minha senhora. O menino comeu e gostou muito da lembrança..”. Só que era um par de sapatos...  Outros episódios semelhantes se registaram, confirmando contudo a simpatia e carinho do velho “20” para com os meninos.

 Recebeu uma medalha de oiro de bom comportamento na presença de todo o corpo docente e do batalhão de alunos; isto aquando o General morais Sarmento foi director do Colégio Militar, não o envaideceu e até se comoveu com algumas lágrimas.

 Reformou-se quando fez 70 anos por atingir o limite de idade, sendo 50 anos de Colégio, coincidindo quase com a 1ªmetade do século XX. Viveu mais 4 anos e faleceu em 1950, tendo um funeral militar com a presença do sub-director tenente-coronel Vieira da Fonseca presente.

 

        Não resisto a deixar um excerto do jornal dos “ratas” do Colégio Militar.

 

 
Fotos de grupos de cursos do Colégio Militar. 

                        

 

Observações locais e históricas;

1-O Vicente e o “cabo 20”  eram baixos e muito respeitados. O Vicente lia muito e discursava bem, para os oficiais e o Cabo 20 era o apoio e conforto dos Meninos da Luz e fazia a ponte com a família deles.

2-As ex colónias mantiveram-se unidas em parte porque os oficiais superiores que lá estiveram eram todos colegas do Colégio Militar.

 

 

                                         Jardim da Luz ou Teixeira Rebelo, homenagem da CML em 1926.
                                                          

Fontes:

-Diário de Lisboa

-jornal do Colégio militar

-o Bisneto Alexandre do “Dom Pingas” na Rua do Pregoeiro.

-Registos Paroquiais, o registo do Baptismo está na Freguesia da Encarnação, Mafra.

-o Rogério Vicente, neto do Vicente/Pintassilgo que o conheceu bem